publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 28 Julho , 2020, 00:54

Apresentamos, a partir, de hoje, um conjunto de textos, que foi elaborado pela Câmara Municipal de Arganil, aquando da candidatura de Vila Cova à classificação de “Aldeia de Xisto”, intitulado “Subsídios para a História de Vila Cova”. 

O documento está dividido em vários capítulos que, dada a sua extensão, iremos publicar parcelarmente.

Este conjunto de textos foi-nos enviado por Henrique Gabriel, sempre disposto a colaborar em toda a temática que respeite à sua Vila Cova. Ao Henrique o nosso agradecimento.

 

Nuno Espinal

 

Subsídios para a História de Vila Cova

 

 1 – Origens


Pouco se sabe das origens de Vila Cova do Alva. No entanto, no documento de doação do castelo de Coja e suas terras, ao bispo de Coimbra, por D. Teresa, em 1121, é fixado legalmente o termo de Coja que, aliás, já era antigo. Este termo confrontava com Avô pela vertente de Anseriz até ao Alva e aqui seguia ao cabeço do Cazoirado, seguindo por entre Ázere e Tábua até ao Mondego.

Ora encontramos este nome Cazoirado referindo-se ao lugar onde se encontra hoje a capela de S. João de Alqueidão. Traçando no mapa uma linha que siga o termo de Coja encontramos obrigatoriamente este local. O nome Vila Cova, efetivamente, não aparece referenciada nos documentos mais antigos sobre Coja ou Arganil. Este facto leva-nos a pensar que a povoação não existiria, sendo apenas um ponto de passagem e de vigilância militar.

 

1.1 – Casoirado e Alqueidão


Em Portugal muitas aldeias e montes, nascidos dos Castros, perduraram, nestas e nestes, por muitos anos e o respetivo nome foi-se alterando. Ao longo dos séculos a ocupação destes lugares pelos romanos, visigodos, árabes, cristãos foi-se alternando e os nomes também foram sofrendo as alterações a que a cultura dos povos ocupantes obrigava. Os redutos referidos em alguns documentos como atalajas, seriam pontos de vigia que em tempos conturbados pela guerra serviriam de aviso à aproximação do inimigo. Alqueidão, que significa em árabe passos ou passadas, deve ter sido uma destas atalajas. Situado entre os castelos de Côja e Avô, mandados construir em tempos da reconquista do território aos mouros, nesta zona de avanços e recuos durante séculos, cujo território seria ocupado ora por cristãos, ora por muçulmanos, parece normal que este local tenha desempenhado algum papel importante em tempos de guerra, não como povoamento, mas como ponto de passagem e de apoio a estratégias militares. A existência de uma ponte que atravessa o Alva precisamente na atual Vila Cova faz imaginar a existência de outra mais antiga, como refere Carlos Ydalgo Gomes de Loureiro em documento que ofereceu a seu primo Bernardo de Abranches Freire de Figueiredo e onde escreve: “Embora não se saiba a data da fundação da referida ponte deve-se ter em conta a informação de que quando procediam à sua demolição, em 1790, foi ali encontrada uma ARA romana com inscrições. Esta ARA foi levada para a casa da Câmara. Este facto vem provar que Vila Cova é uma terra antiga, não como povoado, mas como ponto de passagem de muita importância”.

Ora, percorrendo a estrada que passa a ponte, verificamos que ela se encaminha diretamente para a atual capela de S. João de Alqueidão, situada em local que, como vimos, há a possibilidade de ter constituído um ponto de vigilância em tempos de guerra. Por outro lado é óbvio constatar a importância desta ponte que atravessa o Alva e faz a ligação para zonas mais interiores, nomeadamente o Piódão.
Isto leva a crer que logo após a reconquista cristã e criada a paz no reino, Vila Cova se desenvolveu, possivelmente com pessoas que se foram fixando e que, mercê dos esforços na guerra, receberam benefícios reais ou do clero, dando origem a um povoado que depois se estendeu para junto do rio. 

Outro aspeto muito importante é a proximidade da estrada real de Coimbra à Guarda que passava a cerca de 7 Km e que seria um bom eixo de desenvolvimento para Vila Cova.

(continua)

 
 

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