publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 27 Janeiro , 2014, 22:36

 

 

Também concordo com Mariano Gago. Há uma excepção: Coimbra. Até se pode explicar historicamente. Não esqueçamos que foi com a "praxe " de Coimbra - gosto mais de usar o termo TRADIÇÕES ACADÉMICAS - que o governo fascista de Salazar e Américo Tomás, sofreu o maior desafio de sempre, pela democratização do Ensino, pela liberdade - a Crise Académica de 69. Não esquecer que foi o Conselho de Repúblicas e os estudantes reunidos em Assembleia Magna que decretaram Luto Académico. Uma coisa é ser-se praxista, outra é entender a cultura de tradições académicas onde figuras como João de Deus, Antero, Aristides de Sousa Mendes, Vergílio Ferreira e outros se integraram, acrescentando carga humanística, fortemente cultural e de contestação a todas as formas de abuso do poder. Coimbra tem a obrigação de não alienar esse património. Hoje a maioria das Repúblicas de Coimbra são contra a praxe, ao serem-no, nada da mais fazem do que alargar a rebeldia de quem marca o que de melhor tem o espírito de Coimbra. Quando a Praxe comanda a Cultura, a Inteligência, é claramente fascista. Quando ela existe inserida na comunidade como mais um elemento de congregação, entendendo a cultura a que pertence, à boa maneira de Coimbra, então está no lugar certo. Temo que mesmo em Coimbra as tradições, pelo que tenho vindo a observar, estejam a degenerar na sua mais valia de fraternidade. Sei que há maus exemplos que têm vindo a fazer o seu caminho, mas também sei que Coimbra e a sua Universidade têm património mais do que suficiente para dar a volta a uma situação que se generalizou de infantilismo cívico.

 

Carlos Carranca

 

(Através de Manuel Vasconcelos)

 

 


Antonio Costa a 13 de Julho de 2016 às 16:14
Caro Colega
Inteiramente de acordo com o seu texto, nomeadamente quanto à designação de tradições académicas. Atrevo-me a acrescentar:
. A praxe que eu vivi em Coimbra, sendo obviamente datada, tinha a sua razão de ser e resultava de uma dada realidade sociológica;
. Do que li sobre o assunto as praxes fora evoluindo ao longo do tempo e tiveram capacidade para se adaptar aos diferentes tempos;
. O que hoje está a acontecer é um aviltamento dessas tradições em que a pretensa integração dos novos alunos é uma mera falácia. O que eu vi na Universidade em que dei aulas nada tinha de integração, antes representava uma atuação abusiva, ridícula e castradora dessa mesma integração, por parte dos "doutores".
Julgo que se torna necessário um debate aprofundado sobre este assunto. A manter-se as coisas pelo caminho que vão julgo que as praxes irão, inexoravelmente, morrer.

Jose Paulo Soares a 15 de Julho de 2016 às 16:31
Caro Doutor:
De acordo! Um pequeno senão. Porque um luto académico tão longo? o 40900 que vivi, foi contra o Governo e a tradição/praxe, continuou.
Agora só tem que se debater com os Estudantes e... a vida é deles!
Um abraço

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