publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 09 Junho , 2019, 17:14

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Alguém, com a melhor das intenções, quis alertar-me sobre o termo “Malta” e do seu sentido injurioso, de gente pertencente a um grupelho de más práticas e maus usos. “Vai ao dicionário e verás” – acrescentou.

Não me disse nada que eu não soubesse. De facto, o vocábulo “Malta” tem, em seus significados, conforme registos em dicionários, uma conotação pejorativa. Os dicionários referem-no com uma sinonímia variada: bando, súcia, corja, malandragem, gente reles e outros termos afins.

Mas, por razões que a semântica explicará, a palavra “Malta”, quase por antinomia, tem também um significado distante dos atrás enunciados. Os dicionários também a referem como, “tout court”, um grupo, uma multidão. 

Ora, “grupo de pessoas”, sem sentido pejorativo, é o significado que, já há bastantes anos, no linguarejar quotidiano, mais uso tem, na significação da palavra “Malta”.

Mal seria para o nosso grupo da “Malta” se assim não fosse. Fica, por isso, claro: somos “Malta”, não, obviamente, no significado depreciativo da palavra, mas sim, num conceito engrandecedor da expressão.

Mas, ser-se de um qualquer grupo que se intitule como “Malta” requer que o grupo se defina sob uma condição, um desígnio, um objetivo, uma finalidade.

Vejamos como nos definimos: Grupo da Malta dos anos 60/70, composto, nesse tempo, por estudantes que, nas férias grandes, se encontravam em Vila Cova.

Somos, pois, de uma época: anos 60/70. Uma época marcante na história mundial, assinalada por uma sucessão de acontecimentos como, entre outros, as descolonizações, a guerra fria entre Estados Unidos e Rússia, a corrida armamentista, as lutas revolucionárias na América Latina, nas quais despontou o célebre revolucionário Che Guevara, as lutas dos subjugados raciais, a emersão do “black power”, o pacifismo de Martin Luther King Jr., a afirmação do feminismo, os movimentos  civis a favor dos homossexuais, o desponte de ideologias e uma vontade imensa de mudança, afirmada nas lutas desencadeadas por uma juventude indomável no Maio de 68, em França.

Nós, jovens, nesses meses de verões em Vila Cova, eramos indícios das diferenças, com os nossos modos de vestir (calças à boca de sino, calçado de tacão alto e bicudo, minissaias) de falar (certas expressões de um jargão muito específico), de gostos musicais (os Beatles, os Rolling Stones), de dançar (o twist, o hully-gully), e um já manifesto entendimento de liberdade  sexual, estranho para a população de toda uma aldeia conformada a usos de antanho.

Proclamávamos o “make love not war”, como proposta, fundamentalmente, à apologia a uma sociedade de concórdia.

E em toda esta adição de procedimentos e crenças criávamos uma identidade.  Frutos da socialização desses tempos, temos marcas indissolúveis. Porventura, o apego à cultura da solidariedade, fraternidade, amizade.

Amizade que vincamos nos Encontros da “Malta”.

Diz um velho ditado: “A amizade é um caminho que desaparece se não for pisado constantemente.”

É essa a razão dos “Encontros”. Sejam os de Maio, de Coimbra, de Lisboa, de Agosto. Nas confraternizações o reforço da amizade.

Viva a Malta, Obrigado Malta.

 

 

Nuno Espinal


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