publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 26 Dezembro , 2015, 22:17

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Os hábitos e costumes das aldeias têm-se alterado, e muito, ao longo dos últimos cinquenta anos. Tem-se perdido muito da ruralidade da vida dos aldeãos e tendencialmente caminhamos para um tipo de vida globalmente homogéneo.

Quão diferente o Natal de antigamente em Vila Cova! Hoje são as luzinhas tremelicantes em cada casa, pais natais a trepar pelas paredes, as trocas de presentes na noite da consoada, opíparas comezainas de gastronomias sofisticadas, as profusas trocas de mensagens por telemóveis e pelas redes de internet, e por aí fora. Enfim, um sem número de novos usos que, ainda que o não pretendam, afetaram o espirito de partilha e comunhão doutros tempos.

Vila Cova vivia, em verdeira comunidade, as primeiras horas do Dia de Natal, primeiro, assistindo à Missa do Galo e, depois, já madrugada, em volta do cepo que ardia na Praça.

Mas, atenção: Como diz Manuel Alegre, nas “Trovas do Vento que Passa,” “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”.

Em Vila Cova, de facto, ainda há gente que resiste: o cepo, neste ano de 2015, arde na Praça.

Secundando Miguel Torga, “a ritual fogueira que anuncia o eterno milagre do nascimento de Jesus".

O poema, que integra esta tão significativa frase, foi inspirado no cepo que ardia na nossa Vila Cova (repito, nossa Vila Cova), tem a data de 24 de dezembro de 1958, e o poeta intitulou-o “Natividade”.

E eu, uma vez mais, também não resisto a publicá-lo nas “páginas” do Miradouro.

 

Arde no coração da noite

A ritual fogueira que anuncia

O eterno milagre

Do nascimento.

Batida pelo vento,

Que das cinzas das brasas faz semente,

É um sol sem firmamento,

Diretamente

Aceso

E preso

À terra

Por mãos humanas.

De raízes profanas,

Lume de vida a bafejar a vida,

O seu calor aquece

A única certeza que merece

Ser aquecida…

 

 

Texto e foto de Nuno Espinal

 

 

 

 

 

 


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