publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 06 Dezembro , 2020, 23:21

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O tema central do nº33 da revista Arganilia é justificado pelo seu coordenador porque o ano de 2020 trouxe consigo uma pandemia que fechou o mundo, mudou as relações, prejudicou a economia e o desenvolvimento e veio colocar a nu inúmeras dificuldades da humanidade tal qual a conhecemos. Porém, trouxe também outros olhares e oportunidades, confirmando modos de vida anteriormente considerados extremos ou radicais, realçando opções mais sustentáveis humana e ambientalmente. E eis que surge a ideia de organizar um número da Arganilia subordinado a uma temática que é transversal a tantas áreas da Beira Serra: social, demográfica, económica, histórica, cultural, …

Num tempo em que se apela para uma maior atenção ao nosso país e, sobretudo, ao seu interior, as Aldeias do Xisto ressurgem como destino privilegiado de visita e estadia, em alternativa aos densos aglomerados tradicionais de veraneio, pois que o distanciamento social é uma prática que já entrou nos hábitos e no léxico dos portugueses e lamentavelmente exigida por tempo indeterminado.

Para a concretização da edição deste ano, foi pedido “a entidades públicas, autarquias e personalidades que pudessem colaborar neste número que servirá de porta de entrada a este mundo de aldeias que, desde 2007 se agrupam em torno de propósitos comuns, beneficiando da força que o conjunto pode trazer, pois que de forma solitária pouco ou nada alcançariam, mormente por se tratar de aglomerados demográfica e economicamente deprimidos, localizados em territórios com as mesmas características.

A presente Arganilia conta com os preciosos testemunhos de José Vasconcelos, jornalista de sempre da imprensa local e regional, que palmilha estas serras e vales há décadas; do pintor e artista Mário Vitória, cuja sensibilidade vai muito além da tela e também se materializa em vocábulos, ofertando-nos um texto saboroso, embelezado pela sua obra pictórica; do sentimento do poeta Nuno Espinal, que da sua aldeia do xisto vê o mundo com um talhe particularmente belo e que através de singelas histórias nos transporta a um quotidiano quase museológico; das autarquias de Góis e Pampilhosa da Serra que responderam afirmativamente ao nosso desafio de colaboração; do Turismo do Centro de Portugal, pela pena do presidente desta entidade regional, Pedro Machado, que tem a missão de divulgar os territórios aos viajantes; do incontornável Monsenhor Nunes Pereira que tanto e tão bem registou a Beira Serra; de nós próprios, numa visão mais geográfica e histórica e de Lisete de Matos, a quem cumpre uma palavra mais extensa. Este território da Beira Serra tem tido a fortuna de aqui se produzirem estudos culturais de temáticas diversas de enorme qualidade técnica e científica, contribuindo para o esclarecimento das paisagens humanas e naturais. Muitos são os autores, uns já falecidos, mas muitos ainda entre nós, que ano após ano, não raras vezes a suas expensas, publicam os seus trabalhos, fruto do enorme amor à terra que pisam e à qual se ligaram por razões que a cada um competem. Lisete de Matos tem tido profícua e proba produção escrita. Nome incontornável para os que estudam esta região, possui na sua importante obra um título que, por si só, mereceria toda uma revista Arganilia. Somos suspeitos nesta abordagem, pois que a autora foca um dos aspectos que mais valorizamos na arte e arquitectura popular: o pormenor, o que muitas vezes é desprezado, mas que constitui uma peça fundamental para a compreensão do todo.

Habitação na Beira Serra – do passado e do presente para o futuro, editado em 2018, é uma obra imprescindível para se compreender a dinâmica humana destas aldeias e a técnica de construção aqui utilizada, profusamente ilustrada e por isso não poderia deixar de figurar neste número consagrado às aldeias do xisto, apesar de retratar dezenas de aldeias não categorizadas neste programa. A autora acedeu simpaticamente ao nosso pedido de republicação de um excerto dessa obra que seguidamente reproduzimos, conscientes da mais-valia que traz ao tratamento deste tema. Contudo, é fundamental que todo o conteúdo do livro seja lido e apreciado, que um excerto é demasiado redutor para a compreensão do estudo em causa.

Infelizmente, outras entidades houve que não remeteram as colaborações pedidas.

O tema não se esgota, evidentemente, nestas páginas. Aliás, a Arganilia dedica-se apenas às aldeias que fazendo parte do programa das Aldeias do Xisto se encontram na que conhecemos como região da Beira Serra, nomeadamente nos concelhos de Arganil, Góis, Miranda do Corvo, Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra. Mas fica uma porta aberta para que outros autores, temáticas e interesses em volta do assunto possam brotar e, com isso, enriquecer as histórias por si só tão ricas destas Aldeias do Xisto da Beira Serra.

Fica para os escaparates mais uma edição e mais páginas que acrescentam História à Beira Serra.

 


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