publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 28 Julho , 2014, 10:57

Na sequência do último apontamento publicado no Miradouro, uma leitora questionou-me, via “mail”, sobre o número de utilizadores da Internet contabilizado em Vila Cova. Não tenho uma resposta exata para a pergunta, mas posso garantir que, entre os jovens vilacovenses, já não há quase nenhum que não aceda à Internet através de computador pessoal. Mas, para além da adesão dos jovens, também residentes vilacovenses não jovens, em número já bastante razoável, acedem diariamente à Internet. Tenho essa perceção pelas mensagens que me vão chegando, e nas abordagens que me são feitas via Miradouro e pessoalmente.

Entretanto, esta questão suscitou-me uma reflexão que, muito sucintamente, exponho aos leitores, aproveitando para relembrar que este espaço está sempre aberto, sem restrições, a qualquer rebatimento de tudo o que são opiniões, tanto minhas, em número maioritário, por motivos óbvios, como de outros.

Passemos então ao tema.

É um facto que a tecnologia da informação, pela quantidade e pela velocidade de circulação da informação, tanto à escala nacional, como internacional, permitiu a muitas populações furar barreiras da ignorância, pondo em causa crenças, ideologias impostas, abrindo assim os espíritos a novas ideias, a um novo mundo. Em suma, democratizando já que potenciou os utilizadores dos meios tecnológicos da informação, especialmente os que à informação acedem através da internet, a um espaço de opção de escolhas, conduzindo a que se possam tornar cidadãos mais conscientes, sabedores e participativos.

Por outro lado, todos temos noção de que, ao contrário do que antes se verificava com os meios de comunicação, em que a informação tinha um único sentido na circulação, já que era emitida de um centro para toda a sociedade, com a internet descentralizou-se todo o processo de comunicação, já que todos podemos ser emissores e recetores ao mesmo tempo. Ou seja, adquirimos vantagens antes inacessíveis, vantagens  essas, (filtrando, contudo, a informação distorcida e eivada de perigos), que nos podem guindar a um certo poder já que, considerando que o poder é sempre uma relação, adquirimos uma superioridade perante aqueles que à internet não têm acesso e os que tendo, dela se servem para fins nada instrutivos. 

É aqui que o fenómeno da chamada “brecha social” se coloca, pelo fosso aberto entre as populações “on line” e “off line”, o que implica um aumento das desigualdades sociais.

Este é um fenómeno recente que penaliza, principalmente, as populações mais idosas, desinteressadas e incapazes de acederem ao manuseamento do computador e aos modos de acesso à internet.

Mas nada há a fazer. Eu próprio testemunhei a recusa ao computador dos idosos no Centro de Dia de Vila Cova, quando lhes foi dada essa possibilidade, ante um técnico destacado para o efeito. É natural que assim aconteça. Dedos das mãos esclerosados, deformados por sequelas da idade, sem destreza para manobrar um teclado e um desinteresse intelectual próprio da idade e de uma iliteracia, que lhes marcou o destino, são fatores que os empurram para a chamada info-exclusão.

Contudo, no nosso país, (e é no nosso país que este breve apontamento se centra), a evolução dos dados estatísticos perspectiva-nos um cenário, daqui a uns anos, em que o grupo dos chamados info-excluídos diminuirá significativamente a ponto de, progressivamente, se tornar irrelevante.

 

Nuno Espinal

 

 


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