publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 12 Julho , 2007, 00:32
Vila Cova não esteve, nem está, imune ao fenómeno das migrações, ainda que o sentido que tem prevalecido seja o das emigrações, com as óbvias consequências na diminuição populacional e envelhecimento demográfico.
As emigrações de Vila Cova são, contudo, em especial desde a década de 70, internas, ou seja, concretizadas dentro do país, predominantemente rumo à Grande Lisboa.
Contudo, tempos houve, (nas décadas de 40, 50 e 60) em que o vilacovense emigrante elegia, como destino, a África, em especial a África do Sul. Não sendo emigrantes sazonais, acabariam por se fixar, constituir família e só regressar quando as situações económicas já lhes permitiam um futuro sustentado.
Em Vila Cova residem, na actualidade, alguns desses “emigrantes africanos”, regressados após alguns anos em África, com a particularidade de, parte deles, não terem arrastado no regresso filhos e netos.
É a eles que dedicaremos alguns apontamentos nesta e nas próximas edições do “Miradouro”.
Gente de trabalho, de dedicação à família, mas de grande amor à sua terra natal. E foi esse amor que lhes marcou o regresso.
 
Alzira Marques Rebelo
 
A abrir esta sequência de apontamentos, elegemos a D. Alzira Marques Rebelo, a Dª Zira, como lhe chamam. Vive na sua casa do Bairro do Calvário e irradia simpatia e permanente afabilidade.
Em 1944, com 14 anos de idade e na companhia da sua mãe, Deolinda Marques, natural de Vila Cova, deixou a sua terra natal e partiu para Pretória, indo ao encontro de seu pai, António Caldeira da Fonseca, também natural de natural de Vila Cova e que naquela cidade trabalhava, como emigrante, no ofício de carpinteiro
Foi em Pretória que conheceu seu marido, Manuel Teixeira Rebelo (madeirense), com quem veio a casar, com 24 anos, em Benoi.
O casal foi, entretanto, viver para Joanesburgo, onde se veio a estabelecer com uma mercearia.
Com 25 anos teve um filho, o Jorge Manuel Marques Rebelo. A necessidade de prestar apoio aos pais, fê-la regressar a Vila Cova, em 1986. Entretanto o marido faleceria, de morte súbita, em 1996.
O filho, naturalmente enraizado na África do Sul, vive actualmente vive em Alberton. Tem 52 anos de idade, é gestor de empresas e é casado com uma filha de madeirenses, natural de Joanesburgo, Mónica Maria Silva Vieira, de 46 anos e Designer de profissão.
A D. Zira tem dois netos que estudam em Joanesburgo e “que são dois ases a jogar futebol”: o Ricardo Jorge Rebelo de 25 anos e o Alain Manuel Rebelo de 19 anos, ambos na terceira foto, com os pais, e que já visitaram Vila Cova duas vezes.
Quando perguntamos à Dª Zira se pensa viajar até à África do Sul responde:
“Tenho muitas saudades do meu filho e gostaria muito de estar com todos eles. Mas tenho medo de, com esta idade, se partir, não regressar mais à minha terra, à minha Vila Cova.”
 
 
 
Nuno Espinal/Carla Marques
 

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