publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 26 Junho , 2007, 19:09

 

 

 

Estrangeiros ajudam a revitalizar Vinhó
Vinhó sofre do mal da desertificação, mas os estrangeiros “salvam” a situação, elevando para duas centenas o número de habitantes. Domingo reuniram-se todos, na Casa Regional de Vinho, para celebrar o seu 63.º aniversário

Actualmente o número de habitantes da aldeia de Vinhó, freguesia de Vila Cova de Alva (Arganil) é de 120 pessoas, mas a comunidade de estrangeiros ali radicada, muito embora não permaneça durante todo o ano, ascende a perto de uma centena. Vieram sobretudo de Inglaterra e da Holanda, mas também há suecos, noruegueses e belgas. Ivan Mallefroy é um desses estrangeiros. Chegou a Vinhó há pouco mais de ano e meio, comprou casa e ali reside com a mulher, Jenny. No seu português com sotaque acentuado, mas perceptível, afirma «gosto muito de Vinho», avançando como principais motivos para essa «grande paixão», «a mentalidade das pessoas», que «é muito diferente da Bélgica. As pessoas são mais amigas, mais calorosas, mais calmas e gentis», ao contrário do seu país de origem, onde «vivem muito centradas em si próprias».
O primeiro contacto que Ivan teve com o nosso país foi através de um tio, que vive em Vendas Novas e casou com uma portuguesa, no entanto Ivan não gostou desta terra, o mesmo acontecendo com o Algarve e Lisboa. «Muita gente, muita confusão», sublinha Ivan, que procurava tranquilidade e veio encontrá-la em Vinhó, onde, diz, «há uma combinação perfeita de tranquilidade, paz e a própria natureza». A aldeia de Vinhó foi descoberta através da Internet, ou melhor a casa que comprou e onde reside, descobriu-a na net e através dela chegou a esta «linda e bela» localidade.
Quem não parece pensar assim são os seus filhos de Ivan, uma jovem com 21 anos e um rapaz de 18, que mesmo depois de terem visitado a «nova terra» do pai preferiram voltar para junto da mãe, na Bélgica. Todavia, o belga está expectante pela sua chegada, prevista para 8 de Julho, para passarem três semanas com o pai e a sua segunda mulher.
À Bélgica vai com pouca frequência, a última vez que lá esteve foi em Novembro do ano passado. «Já lá não tenho nada, só lá estão os meus filhos», diz Ivan, que juntamente com Jenny, uma paquistanesa muito bonita, estão completamente integrados na pequena comunidade de Vinhó. Aos sábados e domingos à noite têm por hábito reunir-se no salão de festas da Casa Regional, onde cantam, dançam e jogam às cartas, confraternizando uns com os outros. Ivan também toca órgão electrónico e, juntamente com um amigo que toca guitarra, formou um grupo que anima festas particulares e serões entre amigos.

“Se não fossem eles…

Ivan e os restantes estrangeiros estão tão bem integrados na aldeia que o belga até fez parte da mesa de “honra” do almoço de comemoração dos 63 anos da Casa Regional de Vinhó, em representação da comunidade estrangeira. «Penso como a maioria dos estrangeiros, adoro morar aqui, mas o mais importante para todos nós é o facto de nos aceitarem tão bem no seio da vossa comunidade», sublinhou, lembrando que fez questão de aprender português para «poder falar convosco na vossa língua».
Eusébio Santos, presidente da colectividade também se congratulou com a presença de tão elevado número de estrangeiros. «Se não fossem eles a desertificação era muito maior», confessa, acrescentando que «os estrangeiros ajudam a suportar a economia do concelho de Arganil».
Eusébio Santos lembra que, se não fossem “eles”, muitas das quintas estavam abandonadas e «assim conseguimos dar-lhes vida e abrir caminhos, recuperar casas antigas e dar vida àqueles locais», explicando que muitos dos estrangeiros residem nos arredores de Vinhó e não propriamente na aldeia. Porém, a aldeia ainda conta com 18 casas de estrangeiros, estando as restantes 47 situadas em quintas, nos arredores da localidade.
O que preocupa Eusébio Santos, que é uma espécie de “presidente de junta” de Vinhó é o facto de muitas destas casas não terem electricidade e os acessos não serem dos melhores. «Os caminhos são em terra e muitas casas não têm rede eléctrica», conta esperançado que pelo menos a situação da energia eléctrica se resolva rapidamente. «Fizemos um levantamento das casas que não têm electricidade, o projecto está na Junta de Freguesia e vai fazer-se um estudo dos custos da colocação».
Avelino Pedroso, em representação da Câmara de Arganil também trouxe boas novas, relativamente ao saneamento básico, afirmando que dentro em breve a empresa Águas do Mondego vai lançar o concurso para fazer o emissário e a Etar. O vice-presidente referiu ainda a melhoria da estrada dos Vales à Portelinha.  

 

 

Isabel Duarte


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