publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 24 Dezembro , 2011, 10:18

 

Óleo S/Tela - 40x25

Autora: Nazaré Pereira

 

Nesta quadra festiva que vivemos, amargurados pelo anúncio da fome, do desemprego, da miséria, de alguns, tenho vontade de perceber o Natal da minha infância.

Na Beira, onde nasci, o Natal, todo embrulhado em neblina, chuva e neve, que desciam da Serra da Estrela, festejava-se assim: a lareira, sempre acesa, aquecia os corpos e as almas ao mesmo tempo que preparava a ceia com que a família  e, por vezes, amigos iriam deliciar-se. Não faltavam o bacalhau às lascas com as batatas cozidas e as couves tão tenras que uma simples fervura as fazia cozer, tudo regado com o azeite novo que nos escorria pelo queixo abaixo. As fatias paridas ou rabanadas eram obrigatórias e, nas casas mais abastadas, acrescentava-se o pão-de-ló e o arroz doce.

O crepitar do lume convidava ao convívio e os cantos natalícios elevavam-se nos ares glorificando o Deus-Menino.

Lá fora, no largo principal da Vila, o madeiro ardia, ardia, recordando a proximidade da Missa do Galo. As crianças ansiavam pela hora de pôr o sapatinho (melhor, o chinelo) na chaminé.

Para mim era noite mal dormida. O Menino Jesus lembrar-se-ia do meu pedido? Manhã cedo, bem cedinho, corria direita à chaminé da cozinha. Que alegria! Os tachinhos, as panelas, o fogãozinho, tudo de lata, lá estavam. Corria, então, para os meus pais a mostrar-lhes o presente que considerava uma felicidade.

Como era possível o Menino lembrar-se de mim? Não estava Ele no meu presépio pequenino de barro, deitado em palhinhas? Mistério incompreensível!

Nada de pinheirismos, de Pai Natal a entrar pelas chaminés ou a subir pelas varandas, nem brinquedos de peças incomportáveis, porque os tempos eram de dificuldades e os tostões contados. Saboreávamos o pouco que tínhamos.

Cânticos elevavam-se nos ares:

“Entrai pastorinhos, entrai

Por esse portal sagrado

Vinde ver o Deus-Menino

Numas palhinhas deitado…”

Serão HOJE as pessoas mais felizes, apesar do conforto material de que se rodeiam?

-É que não as oiço cantar.

Cantemos, então, todos, o mais belo cântico de natal:

“Noite de Paz, Noite de Amor…”

Feliz Natal.

 

Nazaré Pereira


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