publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 09 Agosto , 2011, 18:01

 

 

Ontem, em Coimbra, vi um filme que classifico de excecional. A “Árvore da Vida”, com realização de Terrence Malick, um filme que aborda uma heterogeneidade de assuntos, nomeadamente, a formação e imensidão do cosmos, o nascimento e a evolução da Terra, a origem e evolução da vida, o divino e o terreno, a espiritualidade e a materialidade, o sagrado e o profano, questões que correlaciona com a vivência de uma normal família nuclear americana dos anos 50, nos confrontos típicos de banais percursos da vida humana.

Sobre o filme, propriamente, mais não direi, até porque a sua análise crítica não é papel e vocação deste modesto espaço da blogosfera e, ademais, há quem o faça com doutos e superiores predicados, em sede própria.

Não me furto, porém, a referir uma questão tratada no filme e que me transportou à analogia com situações do nosso quotidiano, como cidadãos que as vivenciamos, quer como sujeitos ativos, quer como sujeitos passivos.

A questão do “poder” ou dos “poderes”.

No filme o poder de um pai austero, que o exerce com demasiada autoridade, demasiada exigência para com os filhos, subtilmente submergido por princípios, regras e objectivos que julga serem os mais adequados a um futuro feliz dos filhos.  

Por um lado, de um puritanismo, que até se revela na prática imbuído de grande cinismo, por outro, de um pragmatismo atido a máximas, verdadeiros guiões de práticas da vida.  Como exemplo e no seu processo paternal de educação, refere a um dos filhos a sua interpretação de “sucesso na vida” com esta frase: Para se atingir o sucesso há que se ser menos bom.

Eis um poder, o poder de um pai, no exercício da educação dos filhos, entre outros poderes, micro-poderes, poderes locais, poderes regionais. O poder do padre na sua diocese, o poder do responsável autárquico, o poder partidário, o poder institucional, o poder da relação patrão/trabalhador, entre outros e outros mais.

Quem de nós já não se revoltou contra a prepotência, quando a há, de qualquer um destes poderes? Mas, cuidado! Mea culpa, mea culpa!

Será que esta ânsia e exercício de “poder” é pecado só de outros?

 

Nuno Espinal


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