publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 13 Junho , 2007, 17:12

Em tempos, há uns cinquenta anos para aí, recordo um tal “americano”, dando função a uma gaita de beiços e pondo o pessoal em rodopio, em mexidas danças, à moda das modinhas de então.

Uma fogueira de rosmaninho perfumava os ares e perfumava as águas, que ainda hoje teimam em tombar, no velho chafariz de S. Sebastião.

As raparigas novas saltavam a fogueira, a exorcizar adversidades à conquista de um namorado, e eu, nos meus muito reduzidos anos, aguardava algumas tréguas das labaredas, e lá transpunha, envolto em fumos, as pouco mais que minguas brasas, num mero exorcismo ao medo.

Eram assim as noites de Santo António, em cenas distribuídas por outros recantos da aldeia, como o Adro, a Praça ou mesmo as Tílias, com outros tocadores e tocatas, como o Sr. Augusto (o Augustito, como lhe chamavam) no seu bem sonante e afinado saxofone.

Muitos anos são passados, mas a devoção e crença ao Santo permanecem. E, globalização em força, lá se mudaram hábitos. Veio a sardinhada à moda de Lisboa.

Ontem, em Vila Cova, na Praça e em S. Sebastião, vizinhos e amigos assaram sasrdinhas, beberam um bom tinto e celebraram o Santo de Lisboa. De Lisboa? Qual quê!... Santo António de Portugal, porque não?

 

 

 

 

Nuno Espinal


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Uma foto lindíssima.
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