publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 24 Março , 2011, 19:05

 

A morte de Artur Agostinho foi sentida em todo o país, em especial pela população mais veterana, admiradora e fã de um dos maiores comunicadores do país. Tive o grande prazer de ter convivido com Artur Agostinho, em três momentos ligados a uma entrevista que lhe fiz para a revista “Espaço Aberto”. O primeiro momento liga-se à apresentação que me fizeram a Artur Agostinho e em que combinámos o dia e hora da entrevista. De uma abertura repleta de simpatia, mostrou-se de uma disponibilidade e cooperação que desde logo me sensibilizou. Depois foi a entrevista. Por fim um jantar, em que esteve presente o próprio director à data da revista, que comigo surge na foto no já extinto restaurante “adivinha quem vem jantar”.

Aí passámos seguramente umas três horas de um convívio folgazão graças à jovialidade e humor de Artur Agostinho. Contou muitas histórias ligadas à sua vida profissional, a grande maioria cheias de uma graça reforçada pela sua tão famosa expressividade.

Recordo uma delas:

 

 No Terreiro do Paço, em Lisboa, uma grande manifestação a Salazar em plena guerra colonial. O regime não poupou “escudos” e esforços para trazer uma multidão a Lisboa, vinda dos mais recônditos lugarejos. Artur, em reportagem em directo para a RTP, ia entrevistando um ou outro, preparando o ambiente televisivo que antecederia a chegada de Salazar à tribuna para o triunfal discurso,

 

-Então, diga-me lá, está aqui em Lisboa com que intuito?

As respostas, como é óbvio, iam todas no mesmo sentido:

-“Vim afirmar a minha solidariedade a Salazar.

-“Estou aqui para me manifestar a favor da política do nosso Presidente do Conselho”

-“Sou dos que quer mostrar ao mundo o quanto queremos a Salazar”

-E a senhora, diga-me lá, vem de onde e está aqui para quê?

-Eu? Eu sou de uma terrinha lá de cima de Trás os Montes. O que é que vim cá fazer? Então vim bater palmas ao …Baltazar”.

 

Obrigado Artur. Como ele próprio gostava que dele dissessem, era mesmo um “gajo porreiro”. Muito “porreiro”.

 

Nuno Espinal


comentários recentes
Pode publicar. Achamos importante que o faça. Obri...
É uma informação muito importante.Espero que não s...
O texto relaciona.se, de facto, com minha tia e ma...
Sim, de facto Maria Espiñal, minha tia, era escrit...
Minha Mãe sempre me disse que a madrinha dela era ...
Uma foto lindíssima.
Olá :)Estão as duas muito bonitas.Ainda bem que a ...
PARABÉNS à nossa FILARMÓNICA!
O post anterior é assinado por mim Nuno Espinal
Não estive presente no jogo e nunca afirmo o que n...
Março 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12





pesquisar neste blog