publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 04 Outubro , 2010, 10:21

Há artigos, publicados nos jornais que pasmam. Veja-se esta passagem, da autoria de um articulista, de nome Ricardo Reis, publicado no jornal “i” de 2/3 de Outubro:

 

/.../“Mais marcante é o contraste entre quem trabalha no sector privado e quem trabalha no sector público ou recebe apoios sociais. Os funcionários públicos não só não perderam emprego, como ainda tiveram um aumento de salário no ano passado. Ao mesmo tempo, as quebras das taxas de juro reduziu os encargos com os empréstimos. Logo para os 750 mil funcionários públicos, mais as largas dezenas de milhares em instituições e empresas do estado, nos últimos meses o rendimento aumentou. Somem-se os 1850 milhões de portugueses que recebem pensões de velhice, os 300 mil com pensão de invalidez e os 300 mil a receberem o rendimento social de inserção e temos estimados, por baixo, uns 3280 milhões de portugueses para quem a crise é um tema de jornais e não a sua realidade.”/.../

 

Quer o articulista dizer que a actual crise financeira e económica não afectou mais, do que anteriormente afectava, os milhões de portugueses que recebem do Estado. Até pelo contrário, a sua situação chegou mesmo a melhorar, segundo o articulista. Ora, tanto não afectou mais os portugueses a receberem do Estado como os portugueses que recebiam do sector privado, (que é o que me remunera) também estes beneficiados pela descida das taxas de juro e pela reduzida inflação que atravessou o país durante largo período.

A crise afectou sim o grupo dos desempregados, em especial os que não acediam ao subsídio de desemprego.

Mas não é este o ponto que me motiva o comentário, o qual ainda me mereceria outras observações. O que me indigna é o desrespeito com que usa, em argumento, a situação dos tais 1850 milhões de portugueses que recebem pensões de velhice, pensões de invalidez e um rendimento social de inserção que para muitos está aquém do mínimo que uma verdadeira dignidade de vida reclama.

Dizer-se que para estes portugueses “a crise é um tema de jornais e não a sua realidade” , mesmo no contexto de todo o discurso do artigo, é desumano, é mesmo imoral.

 

Sei o que digo. A realidade que o dia a dia da Santa Casa da Misericórdia de Vila Cova mostra é bem elucidativa.

 

Nuno Espinal


Anónimo a 5 de Outubro de 2010 às 15:17
De facto, qualquer pessoa de boa índole, terá que achar, sobre este artigo publicado no jornal”i”, uma afronta aos funcionários públicos e, mais grave ainda, aos pensionistas que auferem reformas que mal dão para prover as suas necessidades mais básicas. Mete tudo no mesmo saco. Grandes pensionistas que a passagem pela política encheu os bolsos de enormes mas indevidos proveitos (e não só) e aqueles que, pelos descontos que efectuaram ao longo da sua vida activa, têm o direito à sua pensão, ainda que parca. Não toca, sabe-se lá porquê, nas imoralidades dos benefícios de certos senhores que, tendo passado pelo sector privado, defraudaram de forma inequívoca a economia portuguesa. Ou naqueles que levam os seus abissais lucros para paraísos fiscais e se pavoneiam por debates televisivos arvorando-se em arautos da legalidade e honestidade., etc., etc … Muito haveria para dizer.
Mas a esse senhor e ao seu “jornal” os funcionários públicos e pensionistas poderão dar uma resposta. Não comprem esse jornal.
Joaquim Espiñal

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