publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 16 Outubro , 2009, 09:05

A cena passa-se num dos Verões de”60”. A “Malta” encontrava-se em peso na “Senhora da Graça”, em deguste de uma animada patuscada, que preenchia o conjunto de tertúlias tão típicas desses tempos.

 

Lá estava o Sr. Prior, o saudoso Padre Januário, vulgo o Sr. Santos, nome próprio da informalidade desses momentos de paródia.

 

Iniciavam-se as primeiras garfadas, subia a galhofa no avolumar das primeiras goladas de um bom tinto, quando surgiu, uns metros ao longe, o castiço Luís Negro, o pastor do Convento, “corneta” de alcunha, cabeçorra meio de lado a espreitar, a perscrutar motivo de tanto alarido, naquele seu jeito desengonçado, com a velha jaqueta de bedum ao ombro.

 

Logo alguém o avista e o chamamento faz-se ouvir:

 

“Anda cá Luís, anda beber um copo.”

 

O Luís Negro não se faz rogado, ele e cajado, andar manquejado, a chegar-se à mesa onde se variavam chamativos os pitéus. Dá, o Luís, com o Sr. Prior agarrado a uma perna de frango.

 

Ólh’ó Sr. Prior!

Olha lá Luís, vá lá come uma também…

-Eu Sr. Prior! Pernas? Nem pensar…pernas, p’ra mim Sr. Prior, só se for pr’ás pôr cada uma p’ra seu lado!

 

Há quem diga que o bom Padre Januário não se engasgou só por um triz. Quanto à “Malta”, um resíduo de reverência impôs, a muito custo, a contenção do riso. E o magano do Luís, percebendo o impacto da tirada, emborcou um ainda mais gozado copo de tinto.

 

 

Nuno Espinal

 

 


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