publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 02 Maio , 2009, 01:35

 

 

A “Malta” começou por se reencontrar ontem na “Tílias”
 
 
Nas “estórias da malta”, revivido o episódio do acidental turista e do “inglêsteichane” que por lá se falou, acudiu-me à lembrança, a propósito do saudoso café do Vasco uma outra cena, em que os protagonistas fomos nós.
O café do Vasco era ponto de encontro obrigatório, logo de manhã, e era aí que se delineavam as actividades para o resto do dia. Esfregavam-se os calções nas cadeiras do café ao mesmo tempo que o pó era delas removido. E entre ditos e revisões das actividades do dia anterior, esperava-se a vinda da “camioneta das 10,30” na esperança de uma carta ou um postal, que naquela altura eram forma de comunicação muito usada. …Desatado o molho do correio, a assistência esperava com expectativa moderada que fossem lidos os nomes dos destinatários. E na sua loja da mercearia, tabacaria, papelaria, drogaria, etc., em voz alta o Vasco anunciava “fulano de tal” secundado de imediato pelo “presente” em resposta ao nome.
… - Nuno e Joaquim Espiñal …
- Presente!
 ” Meus queridos filhos. Espero que esta carta os vá encontrar de boa saúde assim como aos avós e demais família. Eu por cá vou andando…, etc., etc.”. E a terminar “…beijos para os avós e restante família. Muitos beijos para vós da mãe que muito vos adora, … Adelaide”.
Que saudades, meu Deus, dessas palavras escritas que nos enchiam a alma e tanto nos aconchegavam. Viessem elas de alguém da família ou da namorada distante. Que saudades dessa simplicidade que esgotava os nossos dias. E por ali nos ficávamos na parte da manhã, entre uma ida às mimosas ou uma amena cavaqueira nas imediações. A tranquilidade era apanágio daquelas manhãs de Verão.
Mas como os tempos eram outros e o dinheirito entre a rapaziada não abundava, tornava-se difícil sustentar o vício do “tabaquito”. Mais a mais que se aproximava o fim das férias e os fundos de maneio se tinham esgotado. Tornava-se então necessário prover às dificuldades da falta do cigarrito. Arquitectou-se um plano. O tabaco na loja do Vasco estava mesmo à mão. Só era preciso que um dos mais altos da malta se debruçasse sobre o balcão e, num ápice, transferisse um macito para este lado. E se bem se pensou, melhor se executou. Oh alegria dos deuses, sorver com avidez o fumo dum cigarro…Bem gerido, por dois dias estávamos safos. Depois repetir-se-ia a operação e assim se colmataria essa falta.
O plano resultou apenas duas vezes. O Vasco, avisado que era para estas coisas do negócio, dando pela falta dos dois maços de tabaco, também ele engendrou um plano para apanhar os descarados. O que, diga-se de passagem, não era tarefa difícil pelas rotinas da nossa actividade. Apanhados os meliantes, o Vasco, meio sério meio a brincar, lá nos chamou à razão fazendo-nos pagar os maços de tabaco, num misto de desculpem lá, mas tem que ser. Ficou por aqui a “estória”. Sem ressentimentos porque isso era palavra que não havia no vocabulário dos intérpretes. Aturou-nos muitas o Vasco. Mas é sempre de braços abertos que nos recebe.
Mais um episódio de “estórias da malta” para recordarmos no sábado.
Abraços.
Quim Espiñal

 


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