publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 26 Abril , 2009, 12:30

Em meados dos anos oitenta ganhou expressão, em especial no mundo ocidental, o conceito de “exclusão social” com um âmbito mais abrangente que o de “pobreza”, este até então referenciado nas acções do “Estado Providência”.

O desenvolvimento produtivo da sociedade industrial, a que Portugal não foi alheio, provocou alterações no modelo organizativo da sociedade, uma das quais incidente na própria vida familiar já que, por força da concentração urbana de unidades de produção, veio a ocorrer uma mobilidade demográfica, da população activa, em larga dimensão, do mundo rural para as grandes cidades.

Daí que se tenha verificado no nosso país um despovoamento das zonas rurais e um novo arrumo na estrutura familiar, com efeitos por vezes dramáticos, passando a predominar o tipo de família nuclear em contraponto ao de família alargada.

Surge, assim, pela dimensão em número adquirida, um novo tipo social, o dos idosos a viverem solitariamente e entregues a si próprios.

Este sub-universo emergente e outros surgidos ou consciencializados em situação de vulnerabilidade (os sem abrigo, os desempregados, os deficientes, os analfabetos funcionais, etc.) vieram a concorrer para o surgimento do conceito de exclusão social, obrigando os governos a tomarem medidas protecção social, através de medidas inseridas nas políticas de “Acção Social”, integradas no princípio da Solidariedade.

 

Em Vila Cova, o fenómeno da exclusão social tem pertinência semelhante à que ocorre em todo o país. Têm, contudo, não por caridade mas por direito, os que se encontram em situação deste tipo de vulnerabilidade, a possibilidade de recorrerem a serviços próprios no âmbito da Acção Social, como sejam o Centro de Dia e o Apoio Domiciliário.

 

E em tempo das comemorações do 35º aniversário do 25 de Abril, em que tanto discurso negativo tem sido apregoado, de resto confirmando uma idiossincrasia tão peculiar do povo português, sinto um enorme impulso em comemorar a Solidariedade.  

Como dizia alguém a Solidariedade não se agradece, comemora-se. E eu ao comemorá-la, através deste modesto apontamento que escrevo, não deixo de comemorar fundamentalmente, é assim que o sinto, o espírito do 25 de Abril.

 

É que Abril não é propriedade de ninguém, como parece que alguns pretendem. Por isso comemoro a Solidariedade, naquilo que de mais residual e consensual o espírito de Abril contém.

 

 

Nuno Espinal   

 

 


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