publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 15 Maio , 2008, 00:10

 

Há algum tempo vi, no “Miradouro”, uma fotografia do forno que existia em Vila Cova.
Retratava o forno “comunal” da Senhora Áurea – modesta casinha de uma porta e uma janela. No primeiro piso, o forno, no segundo piso, a casa de habitação.
Conservo na retina a sua simpática figura, ao postigo da casa, de alvo rosto e sorriso doce e aberto.
Eram dias felizes aqueles em que o forno cozia. Felizes, sim, porque o pão era a sustância – havia que o saber governar para toda a semana.
Foi o pão que nos ensinou a arte da agricultura. Segundo a Bíblia, quando Abraão regressou a Canaã, o sacerdote-rei de Jerusalém veio ao seu encontro e ofereceu-lhe pão e vinho, em sinal de hospitalidade.
Desde aí o pão passou a ser a coisa mais oferecida do mundo.
Apontei na minha memória os dias em que o forno de Vila Cova funcionava. Bem cedo, de madrugada, lá andava a forneira de rua em rua, de beco em beco, a alertar as mulheres de que eram horas de começar a amassar o pão em grandes gamelas onde ficava a levedar até à hora de ir para o forno.
Nessa noite não se dormia. Eu também não, levada pela minha curiosidade de tudo observar e também porque eram dias de guloseima. Eram corridas e corridas para o forno da “ti” Áurea.
Ainda hoje sinto o cheiro e o gosto da broa acabada de cozer em forno de lenha e também o de umas maçãzitas pequenas, assadas em tabuleiros de folha, sem açúcares nem vinhos. Um verdadeiro manjar dos deuses! Ainda quentes, eram devoradas com avidez. Foi o melhor laxante que conheci até hoje.
Eu gostaria de voltar à minha meninice só para saborear essa broa morna com um punhado de azeitonas, as sopas de café e as tais maçãzitas assadas.
É que não me conformo ter de comer o pão de plástico congelado que me impingem todos os dias.
 
Maio/08
 

 

 


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