publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 21 Março , 2021, 17:12

Carlos Carranca Foto1 (2).jpg

Tive o grande privilégio de conhecer o Professor Doutor Carlos Carranca.

Homem de vários ofícios na cultura, tem uma obra de vulto no campo da Poesia. Ainda hoje está a ser lançado um volume póstumo intitulado “Poemas Absurdos & A Palavra e o Mundo” que integra dois livros de poesia e que foram escritos por Carlos Carranca nos seus últimos meses de vida. Durante a sua luta contra o nada em camas de hospital, o poeta usou as suas últimas forças para escrever estes textos no seu caderno.

"Poemas Absurdos & A Palavra e o Mundo" chega-nos de um lugar entre a vida e a morte, entre a presença e a ausência. É o gesto derradeiro de uma figura emblemática da cultura portuguesa que, frente a frente com o abismo e a dor inevitáveis, ergue corajosamente a luz de consciência da poesia.”

Vinha, com frequência ao concelho de Arganil, por força da sua ligação afetiva à família Valle.

Antes de cair na cama, o Professor lá ia ao “Cidade de Coimbra” ver a sua Académica. Os nossos lugares cativos não distavam mais que uns quinze metros.

Durante o jogo comunicávamos com sinais, dando conta do nosso estado de alma sobre o qua se ia passando no relvado.

Um dia disse-me: Oh homem trate-me pelo nome, deixe lá o Professor.

Nunca fui capaz.

Para mim foi, é e será sempre um meu Professor.

 

Nuno Espinal

 

Dois Poemas de Carlos Carranca

 

Guitarra Lusitana

 

Guitarra, meu amor de raiz;

minha mulher encordoada…

Procuro o meu país

no teu corpo de mulher, imaginada.

 

Contigo subo na fragrância

de teus enlevos

de corsa. Frágil elegância

de tuas ancas nos meus dedos.

 

Guitarra, meu país por dedilhar!

Percorro-te nas cordas da loucura;

nas ânsias frágeis da dor.

 

Sinto-te nos dedos. Vamos namorar…

Estreito-te pela cintura.

Guitarra lusitana, meu amor!

 

Carlos Carranca, in “Coimbra à guitarra”, página 18, edições MinervaCoimbra, 2003.  

 

HOMO SUM

Da vila
guardo o cheiro a tília
à chegada do poeta.
Não sou de cá
mas amo-lhe as artérias,
o rosto velho, a torre de vigília.

Homem sou
pequeno deus, fauno do mundo.
Aqui, obrigado
A um verso mais sonhado
E mais profundo.

Homem que não cabe
num verso como a vida
não cabe numa praga,
de fraga em fraga
a aventura.

A vila,
entre o céu e o rio
hesita.
Mas, o poeta,
humana face da loucura
lança-se à aventura
e ressuscita.


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