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Esta foto, que me foi enviada, ressaltou-me, no imediato, uma profunda emoção. Cinco mulheres e uma criança, em fotografia captada no muro de uma fonte que tem nome de Santa e também de Mulher: Teresa.
A presença da criança no meio de Mulheres/Mães, levou-me a significados que abrangem a palavra latina “Mater”, como a Mãe progenitora de cada um de nós, mas também como a Mãe Universal de todos nós, Maria, consagrada pela Igreja Católica.
Esta peça do Miradouro é uma homenagem à Mulher/Mãe.
Tanto me faz que o calendário lhe aponte uma data própria. Dia da Mãe é sempre, todos os dias.
E para sublimar esta homenagem, deixo-vos as superiores palavras de dois grandes poetas da Língua que se chama Portuguesa. Um Poema do nosso Zeca Afonso e também do nosso poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade. Afinal, do Português, também se diz a “Língua Mater”, como Língua que é Pátria de tantos Povos no Mundo.
As Senhoras da foto são a D. Beatriz de Almeida, a D. Helena Vilas-Boas, a D. Natália de Figueiredo, a D. Beatriz Alves e a D. Helena Medina. Todas já falecidas, à exceção da D. Natália de Figueiredo.
A criança desconhecemos quem é. Esperamos elucidação, para posterior registo no Miradouro.
Poema de Zeca Afonso
Quanto é doce quanto é bom
No mundo encontrar alguém
Que nos junte contra o peito
E a quem nós chamemos mãe
Vai-se a tristeza o desgosto
Põe-se um ponto na tormenta
Quando a mãe nos dá um beijo
Quando a mãe nos acalenta
E embora seja ladrão
Aquele que tenha mãe
Lá tem no meio da luta
Ternos afagos de alguém
Excerto de poema de Drumond de Andrade
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Nuno Espinal
