publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 03 Agosto , 2020, 10:43

 

4 – Os estragos causados pela terceira Invasão Francesa

 

O prior Manuel Lopes Garcia deixou-nos uma relação dos roubos, incêndios, mortes e atrocidades que os franceses fizeram na freguesia de Vila Cova, então designada de Sub-avô.
A 16 de Março de 1811 durante a terceira invasão, os franceses entraram em Vila Cova quebrando e arrombando portas, despejando tulhas de cereais e adegas levando tudo o que podiam e queimando e estragando o resto. Da Igreja matriz fizeram celeiro e armazém do que roubavam e da Igreja destruíram muitas coisas de valor e ainda roubaram o azeite da confraria. Na casa da Misericórdia arruinaram o altar mor, quebraram pedras d’ara  e destruíram paramentos e outros objetos sagrados.
No convento de Santo António roubaram comida, roupas, danificaram e queimaram imagens e o órgão, queimaram móveis.
Na casa da ordem terceira queimaram imagens e danificaram muitos objetos.
Queimaram 11 casas e mataram 13 pessoas, mais 2 que morreram por causa deles, ao todo 15 pessoas morreram.
Somados os estragos ascenderam a 10 260$000 reis.
Terá sido este acontecimento, o início do declínio de Vila Cova do Alva?

 

5 – Personalidades

 

Desde tempos remotos que Vila Cova viu nascer personalidades da mais alta condição. Tanto no poder político, como na Igreja as ligações foram ao mais alto nível o que de certa forma justifica o nível social que a aldeia indicia, principalmente desde o século XV.
– Luís da Costa Faria, filho de Manuel Faria Neto e de D. Maria da Costa. Embora nascido em Arganil foi com sua mãe para Vila Cova ainda bebé onde cresceu. Foi moço fidalgo da casa real, desembargador do Paço e Governador da Índia. Nasceu em 1648 e faleceu em 1730.
Está sepultado na Igreja do convento, junto ao altar de S. Francisco.
– Silvestre Freire de Faria e Costa, filho de Bento José Freire de Faria Sequeira Giada. Bacharel em Cânones foi vigário geral em Aveiro
Dr. Francisco de Campos, desembargador do Arcebispo D. Jorge de Almeida, faleceu em 1608.
– Frei Manuel do Nascimento, natural de Vila Cova Sub-Avô que professou no Instituto Seráfico da reformada província da Conceição de Lamego em 1717.
Foi missionário antes, no Brasil e no seu regresso Comissário dos Terceiros franciscanos em Lamego e depois foi para Viseu onde o seu nome ficou nos Anais Históricos
– Manuel homem de Figueiredo – desembargador do paço e juiz da coroa
– Manuel homem –  filho deste ultimo – cavaleiro professo da ordem de Cristo e corregedor de Coimbra
– Francisco Fernandes de Figueiredo, colegial de s. Pedro, lente de cânones da universidade de Coimbra e cónego doutoral na Sé de Évora, faleceu em 1611.
– Francisco de Figueiredo e Mello, promotor do santo oficio.
– Gaspar Afonso da Costa Brandão, bispo do Funchal em 1703
– Capitão João Ribeiro de Figueiredo, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, sepultado na Igreja matriz no ano de 1713.
– D. José Cupertino da Fonseca e Brito, juiz de fora, corregedor, desembargador honorário, secretário geral do Governo Civil de Coimbra e deputado às cortes constituintes em 1826.
– Alexandre Cupertino Castelo Branco, falecido em 1894
– Bernardo d’Abranches Freire de Figueiredo
– Conselheiro Albino d’Abranches Freire de Figueiredo.
– Joaquim Antunes Leitão exerceu a sua atividade no Porto onde criou a Empresa Literária e Tipográfica onde nomes como Camilo Castelo Branco e Guerra Junqueiro imprimiam os seus livros
– Joaquim Leitão, foi diretor do museu da assembleia nacional da restauração, inspetor das bibliotecas arquivos e museus de Lisboa e secretário-geral da Academia das Ciências.

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6 – O rio, a agricultura e a floresta

 

Analisando o percurso do rio verificamos que ele descreve uma grande curva na zona de Vila Cova. Este serpentear do rio cria como que uma península onde o rio e o vale que o acompanha cria um enorme espaço de terrenos adjacentes às suas margens e que, segundo testemunhos, seriam terrenos muito férteis, o que é natural dado a morfologia do território envolvente, o que faria dos vila-condenses produtores de uma rica agricultura, que certamente produziria excedentes para trocas ou vendas nas povoações vizinhas ou mais longe aproveitando o rio que desagua no Mondego como meio de transporte.
Por outro lado um conjunto de pequenos montes que envolvem a povoação onde se pode constatar uma floresta luxuriante, a existência de uma silvicultura rica e uma fauna que certamente tem proporcionado a caça de animais como o javali, o coelho e certamente em épocas mais recuadas o lobo e a raposa.
As condições naturais, favoráveis à agricultura e silvicultura, parecem estar ligadas do aparecimento de famílias poderosas com ligação às altas esferas da nobreza e do clero.
Pinho leal, em 1884, no seu Portugal Antigo e Moderno refere a riqueza de Vila Cova em produtos hortícolas: “milho, centeio, feijão, vinho, castanhas, azeite, e frutas variadas, muito saborosas, nomeadamente melões” e acrescenta: “Há n’esta freguezia dous lagares ou moinhos para moer azeitona e fabricar azeite e oito moinhos ou azenhas no Alva para moer cereais”.

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7 – Vila Cova nos dias de Hoje

 

Vila Cova foi denominada durante algum tempo como Vila Cova de Sub-avô. Após a desanexação da povoação de Barril do Alva, decorrente da lei nº 1:639 de 25 de Julho de 1924 que deu origem à freguesia de Barril do Alva o nome ficou definitivamente Vila Cova do Alva.
Vila Cova tinha, em 1860, 1306 moradores e em 1920, 1364 moradores. A partir de 1924, com a desanexação da povoação de Barril do Alva, a população de Vila Cova diminuiu para metade e não mais recuperou, sendo atualmente de 569 habitantes, segundo os censos de 2001.
A atividade económica centra-se na agricultura de subsistência, pecuária, construção civil, exploração florestal. Não há indústria e a fabricação de produtos como a cestaria, principalmente a produção de canastras em tiras finas de madeira de castanho, deixou de se fabricar quando o último canastreiro deixou a vida ativa. O artesanato tem-se desenvolvido principalmente na fabricação do Bucho de Vila Cova, Queijaria e Rendas.
A escola primária fechou por falta de alunos na década de 90 do século XX.
A Santa Casa da Misericórdia como IPSS tem desenvolvido um trabalho interessante no campo social no apoio aos idosos e criando alguns postos de trabalho, muito importantes dada a escassez de emprego que afeta estas pequenas povoações. As novas tecnologias minimizam o isolamento que o afastamento dos grandes centros urbanos provoca. Em Vila Cova o sítio da Santa Casa da Misericórdia http:

//www.miradourodevilacova.com/ 

da responsabilidade do Provedor Dr. Nuno Espinal e da sua equipa, leva Vila Cova do Alva aos quatro cantos do mundo.
A Filarmónica Flor do Alva, criada em 1918 soube resistir às dificuldades que certamente atravessou e é neste momento uma Associação de que os Vilacovenses se orgulham. A Escola de Música associada à Filarmónica permite o rejuvenescimento e o enriquecimento dos seus elementos.
O rio Alva continua a ser um motor de desenvolvimento económico para Vila Cova,
nomeadamente através da sua praia fluvial que é uma atração turística que anima os dias quentes de Verão.
Ainda de referir o Grupo Desportivo Vilacovense que ocupa muitos jovens e lhes permite a troca de experiências, não só desportivas, mas também sociais, com jovens de outras localidades.

 

Bibliografia consultada

– GONÇALVES, Carlos Gabriel – Elementos para a história de Vila Cova do Alva. Arganil, Gráfica Moderna: 1936
– DINIS, António – Coja – I. [S.l. : s.n.], D.L. 1983. 122 p.
– ALMEIDA, Fortunato de – História da Igreja em Portugal. Nova ed.. Porto : Portucalense Editora, 1971. 4 vol.
– ANACLETO, Regina – Vila cova do alva: fragmentos do seu passado. In: Arganilia, 3ª série, nº 23 (2009)
– Estatutos da Irmandade da Misericórdia de Vila Cova de SUB-AVÔ- Coimbra: Minerva, 1890
– LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno. Lisboa : Cota D’Armas, D.L.1990.
– COSTA, António Carvalho da – Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal… – Lisboa : na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1706-1712.
– Santos, Januário Lourenço – Vários documentos policopiados
– GONCALVES, António Nogueira, padre – Inventário artístico do Distrito de Coimbra : Concelhos e freguesias. [Lisboa : Academia Nacional de Belas Artes, 1952]. 21
– Loureiro, Carlos Gomes – Vila Cova de SUB-AVÔ. 1943. Documento
policopiado.
Mendes, Teresa Pinto. Documento policopiado do seu discurso na inauguração do novo edifício da Junta de Freguesia de Vila Cova em 1992.
– MATOSO, António G. – Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil. Arganil: [s.n.], 1960. 28 p.

 

Fim

 

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