publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 27 Abril , 2020, 02:57

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Não compreendo a frase “a partir de agora nada vai ser como dantes”. Como se o efeito “vírus” viesse alterar tudo e todos nós passássemos a ser outros, pessoas diferentes.

Obviamente que algo vai mudar. O retrocesso da economia, um facto já evidente, vai mudar hábitos, em especial a nível do consumo. E outras alterações, a nível dos hábitos e dos costumes, são expetáveis. Mas, daí a tudo mudar…

Por exemplo, a Igreja Católica, conservadora como é, alguém pensa que a sua ideologia, os seus procedimentos litúrgicos, os seus rituais possam mudar assim tanto?

Não o creio e disso ninguém a deve censurar. As suas tradições vão manter-se, porque representam muito da sua substância, da sua essência. A Páscoa, e falamos dela pela sua proximidade temporal, vai manter as suas tradições, a sua simbologia, os seus rituais.

Contudo, em período generalizado de contenção e de confinamento social, algumas manifestações houve nesta Páscoa, alheias aos habituais costumes locais, a que apenas reportamos existência temporal e que tiveram a intenção de superar o vazio presencial na Igreja dos fiéis.

Foi assim que o Padre Daniel Rodrigues lançou uma ideia, para com as suas Paróquias. À porta das casas uma cruz, ornamentada com ramagens de loureiro, oliveira e alecrim nos Ramos, com uma tarja vermelha na Paixão e com flores a partir de Domingo Páscoa até Quinta Feira da Ascensão.

Este domingo, o Padre Daniel veio a Vila Cova benzer as cruzes. Uma delas, a da foto, é a que está estampada no Centro de Dia da nossa Santa Casa.

Foi bonita a ideia. Mas, ainda assim, não deixo de manifestar um desejo.

O de que para o ano tudo, na Páscoa, volte ao normal.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 24 Abril , 2020, 23:55

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Coimbra…

 

Em hora de lusco fusco, em translúcido nevoeiro.

 

Surgiste!

 

Foi na escadaria, vinda da Sé, em sereno pé ante pé,

Com a luz estremunhada de um candeeiro,

A noite fria a crescer.

 

A neblina envolvia-te de mistério,

A imagem, plena de magia, bouquet de sonhos, fantasia.

 

Enredado nesta teia, reconheci-te.

E mesmo no já real, permaneceu o encanto:

Rosto moreno, distinto à névoa, em pálido manto.

 

Saudámo-nos e falámos:

Está frio! Disseste.

E eu disse-te: vamos a uma bebida quente?

 

Ao convite foste anuente

E em tasco de referência,

De conhecida ambiência,

Tango e fado,

Para um momento brindado.

 

Mal nos conhecíamos, é certo,

Mesmo pouco, quase nada,

Entre nós quase um deserto.

 

Falámos:

Quotidiano, banalidades, frugais as ideias de vazios cheias.

 

Entretanto, na mesa um jornal, um tema capital:

Violência doméstica.

 

E disseste:

A negação à violência é uma questão de ética.

 

Achei curto o argumento, para tema tão odiento

 

E prosseguiste:

Sobre as relações de género renego o feminismo.

Homem e mulher? Papel social diferente…

Na diferença é que sou crente.

 

Mas, isso é segregacionismo…

Contrapus.

 

E disseste:

Sou conservadora, de direita assumida,

Religiosa, cingida à cruz.

 

E mais disseste:

Para melhor sintetizar,

Eis o meu brado:

Exaltar Salazar!

 

Na verborreia continuaste,

Apologética a ismos de somenos:

Oligarquismo, totalitarismo.

Repugnantes, obscenos.

 

Saí.

 

Cá fora as gentes apressadas,

A almejar o chão caseiro,

O conforto borralheiro.

 

Fiz o mesmo.

 

E já entre quatro paredes,

Por catarse à verborreia:

Li Zeca. Li Sofia.

 

E Zeca disse:

Corta
Fulmina
Com a tua clara música
a noite da suástica
Mulher viva

 

E Sofia disse:

Abre a porta e caminha

Cá fora

Na nitidez salina do real              

 

 

O relógio da sala dava as doze badaladas.

Que toar tão subtil!

Meia Noite!

E o calendário sussurrava:

Hoje o “Dia Novo”! Vinte e Cinco de Abril…

 

 

Nuno Espinal

(Coimbra, abril 2019)


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 24 Abril , 2020, 20:36

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Era uma morte anunciada…

E aconteceu hoje.

Duas das velhas tílias, naquele frondoso recanto a que elas próprias deram nome, foram hoje trespassadas de morte.

Sucumbiram perante o racional imperativo da sua perigosidade pública.

A emoção, essa, foi alheia a quem lhes traçou o destino.

A emoção ficará nos olhos e no coração de quem as perdurará para sempre, apegadas que serão às recordações da bondade das suas sombras e dos enlevos musicais dos chilreios, que nos enchiam a sensibilidade naqueles finais de tarde estivais.

Outras virão, por certo ocupar-lhes o lugar.

Mas, dos viventes de hoje, poucos serão os que, de bem-aventurança, as contemplarão em fulgor.

Resta, aos outros, que durante imensos anos lhes gozaram a função, recordá-las com a saudade que os aconchega pelos momentos em que nelas se acoitaram, num emaranhado de histórias, sob a imensidade e o perfume das suas sedutoras folhagens.

 

Nuno Espinal   


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 24 Abril , 2020, 02:01

Contribua com 0,5% do seu IRS para a Santa Casa da Misericórdia de Vila Cova de Alva.

A consignação do imposto possibilita que qualquer contribuinte possa outorgar 0,5% do montante do seu desconto do IRS a uma Instituição de Solidariedade Social. Sendo assim, solicitamos que, dentro desta prerrogativa, atribua esse valor à Santa Casa da Misericórdia de Vila Cova de Alva.

Poderá fazer o seu donativo de 0,5% dos seus impostos através da declaração anual de rendimentos tradicional (modelo 3), no Quadro 11 do anexo “Rosto”.

Para tal, informamos o nosso número de Contribuinte Fiscal: 502366150.

Agradecemos o seu gesto, o qual contribuirá para a melhoria dos serviços que esta Instituição presta aos sues utentes.

 

A Santa Casa da Misericórdia de Vila Cova de Alva


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 21 Abril , 2020, 21:53

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A notícia chegou com uma crueldade pesada, por inesperada, mas, acima de tudo, pelo seu tão pesado golpe de injustiça e provocou uma violenta consternação entre os vilacovenses

Morreu a namorada do Bruno, dizia-se, e havia um ar de incredulidade pela quase inverosimilhança do acontecimento.

Mas, a notícia foi mesmo uma realidade.

A jovem Andreia, natural da freguesia de Lagares da Beira, onde residia, de vinte e muitos poucos anos, entrou em Vila Cova, pela mão do namorado, o Bruno Santos.

Ganhou a simpatia de todos, mesmo que só uma reduzida parte da população a tivesse contactado pessoalmente.

Percebia-se, no par de namorados, uma cumplicidade e um amor sempre crescentes.

A vida, com este ato fatal, foi mesmo madrasta para a Andreia.

Ainda hoje o Provedor da Santa Casa tinha nas mãos documentos, que ainda assinou, requisitados pela burocracia, para admissão temporária da Andreia na Instituição.

Todos, na Santa Casa, a aguardávamos com grandes expectativas, porque lhe sabíamos das suas simpatia e competência.  

Em vão. Mas, não vamos esquecer a Andreia. Vai continuar entre nós.

À Família as nossas sentidas condolências.

Ao Bruno um grande e muito amigo abraço de solidariedade.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 19 Abril , 2020, 11:37

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O Executivo da nossa União de Freguesias, com plena consciência das responsabilidades sociais que lhe cabem, empenhou-se no apoio ao estudo à distância das crianças, pelo que disponibiliza, a todos os alunos que necessitem deste apoio, um conjunto de 2 computadores com ligação à internet, microfones e câmaras, a funcionarem na Sala de Reuniões do edifício sede da autarquia.

Para a programação com toda a segurança da utilização destes meios audiovisuais, os interessados devem proceder a uma inscrição nos serviços da União de Freguesias.

O espaço disponibilizado pela União de Freguesias não comporta mais que a presença simultânea de dois alunos, devido à distância social aconselhada de dois metros, em consideração à capacidade de contágio do Covid 19.

O espaço dispõe de álcool gel, máscaras descartáveis, luvas e viseiras.

São parceiros desta iniciativa a empresa "Donnana", o Centro Sócio Cultural de Anceriz e o Grupo Musical Sindykato.

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publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 16 Abril , 2020, 21:13

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Conforme foi deliberado pelo Estado Português. vão os alunos do ensino básico continuar sem poderem frequentar aulas presenciais até final do ano letivo, tendo estes para o efeito um ensino através de computador e televisão.
Sabendo a União de Freguesias que nem sempre é possível existirem vários computadores num agregado familiar com várias crianças, entendeu o Executivo proporcionar a cedência do salão nobre da sede da União de Freguesias e alguns computadores ligados à Internet para todas aquelas crianças que necessitem da sua utilização ali se possam deslocar para cumprir os seus trabalhos escolares.
Assim, logo que os equipamentos estejam operacionais será divulgada essa informação de início desta colaboração.
Informamos que a sede da União de Freguesias estará aberta diariamente durante o período diurno para receber as crianças e haverá a necessidade de inscrição atempada a fim de evitar aglomerados de pessoas.
NOTA: Todas aquelas crianças e um dos encarregados de educação que ali se dirijam terão a obrigação de vir devidamente protegidos com máscara e luvas de proteção pessoal.
A UNIÃO DE FREGUESIAS SEMPRE NO APOIO A QUEM NECESSITA.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 13 Abril , 2020, 05:15

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Reportar casos que mereçam ser notícia no Miradouro, neste período que atravessamos, é pouco provável que aconteça.

O movimento que se vê limita-se às viaturas da Santa Casa e da União de Freguesias.

Das pessoas, tirando os funcionários destas Instituições, apenas são visíveis na rua, os trabalhadores de construção civil de uma obra em casa junto à Fonte de Santa Teresa.

Mas há os habituais incautos, em número de uma meia dúzia, personagens que teimam em se juntar diariamente na Tílias.

Por mais raspanetes que levem, nada os demove.

Ou se julgam imunes ou entendem que a moléstia nada quer com Vila Cova.

Até quando irão permanecer nesta “Santa Ignorância”?

Provavelmente sempre, porque aquelas cabecinhas não abrem portas ao conhecimento, à informação e às regras.

A não ser que o mal lhes caia mesmo em cima, o que de todo, e com todo o fervor, não lhes desejamos.

Cruzes, canhoto! Vade retro satanás - diremos todos.

Mas…

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 08 Abril , 2020, 01:35

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O Provedor da nossa Santa Casa, Dr. Nuno Espinal, estando em Vila Cova, tem-se mantido em isolamento na sua residência, cumprido as recomendações do Governo.

 Isso não impede que esteja em permanentemente contacto com a Instituição, utilizando para este efeito meios áudio visuais.

Foi assim que realizou uma reunião com as colaboradoras da Instituição, via Messenger, a fim de serem discutidos assuntos relacionados com o problema do corona vírus.

Da reunião ressaltou a preocupação manifestada pelas trabalhadoras, ligada às medidas de precaução que evitem a transmissão do vírus.

O Provador compreendeu estes receios e garantiu que tudo será feito para que nunca falte na Instituição material essencial, como máscaras e luvas e produtos de desinfeção, como álcool e gel.

Entretanto, as trabalhadoras vão dispor brevemente de viseiras, oferecidas pela Universidade de Coimbra, que são um meio protetor de grande eficácia.

Uma das medidas profiláticas abordada nesta reunião, aliás com um peso fundamental, respeita ao isolamento que os utentes devem observar e o aconselhamento às famílias de evitarem visitas aos utentes neste período de contenção do vírus.

Solicitou ainda às trabalhadoras que façam a monitorização possível de situações indiciadoras de infeção pelo vírus, enumerando a tosse seca, a dificuldade respiratória e a febre, entre outras.

Informou que já está encomendado um termómetro corporal sem contacto físico, de Infravermelhos, que em breve chegará à Instituição.

O esforço das trabalhadoras da Instituição foi também salientado pelo Provedor, já que a Instituição serve, neste momento, cerca de 50 utentes em regime de apoio domiciliário

Entretanto, o Provedor fez questão de enaltecer os contributos da Vice-Provedora, Dra. Margarida Figueiredo, e do Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Dr. Oliveira Alves, para com a instituição, nesta altura difícil que todos vivemos.

 

Mónica Ferreira

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 02 Abril , 2020, 03:07

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Por dificuldades insuperáveis a nível da sua sustentabilidade económica, o Centro Sócio Cultural de Anseriz terminou, no passado dia 31, a sua atividade, que exercia no apoio a utentes como Instituição Particular de Solidariedade Social.

Assim, cinco utentes em Apoio Domiciliário e dois em Cantina Social passaram, a partir do dia 1 de abril, a serem integrados nos serviços da nossa Santa Casa.

Contudo, a formalização desta integração ainda não está totalmente concluída, faltando os acordos, por parte da Segurança Social, para que estes novos utentes sejam subsidiados pelo Estado.

 

Nuno Espinal


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Uma foto lindíssima.
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