publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 06 Janeiro , 2019, 00:35

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Conforme reza o calendário, o último dia das “Festas”, deste período natalício, é a 6 de janeiro. Celebram-se os “Reis” e com esta celebração termina este período festivo em que se comemoraram o “nascimento de Jesus”, “a passagem do ano” e “as janeiras”.

Todas as datas de celebração têm tempos e espaços próprios em que as suas intensidades e impactos têm variado nas últimas décadas.

O período em que se celebrava o Natal, há uns 50 anos, só se manifestava na última semana anterior a 25 de dezembro. O consumismo era fenómeno sem prática generalizada, situação que se alterou nos últimos anos, o que provocou uma amplidão temporal que se começou a fixar já em fins de novembro e princípios de dezembro.

A partir de certa altura, as casas residenciais enfeitaram-se com ingredientes típicos, tanto interna como exteriormente, as montras ganharam novos tons, as ruas com maior assento comercial nas grandes cidades adquiriram encenações coloridas.

Mas, a essência do Natal tem assento indiscutível na noite de 24 para 25. E o registo espacial muda radicalmente entre o que já foi e o que é. Antes, a Missa do Galo atraía montes de gente às Igrejas em aldeias vilas e cidades. Após a Missa o povo dirigia-se ao cepo, em confraternização, olhos postos no braseiro e mãos estendidas em chamariz ao calor, saboreando, no dizer de Torga, o “lume de vida a bafejar a vida”.

Eram tempos em que o espaço público marcava acentuadamente a Noite de Natal.

Nos tempos de hoje já não é assim. A escassez de sacerdotes leva a que as Missas do Galo parcamente sejam celebradas, pelo que a passagem e comunhão do Povo pelo cepo perdeu a usualidade antes reconhecida.

O espaço privado destronou claramente o público, com as famílias a celebrarem a consoada no aconchego residencial, alheios aos cepos solitários que ainda vão ardendo nos lugares estratégicos da tradição.

Avança o calendário e eis-nos na mudança de ano. O “réveillon” era o “top” há uns anos atrás, nos casinos, salões de baile, casas residenciais. Mas, do espaço privado o “top” passou para o espaço público. Mega espetáculos e fogos de artifício monumentais nas cidades arrastam multidões, com predomínio dos jovens, que só desarmam altas horas da madrugada. É um fenómeno mundial, que a globalização consolidou.  

Vem o primeiro dia do ano e eis-nos em tempos das “janeiras”. “Cantar as Janeiras” ainda é uma tradição que permanece em Portugal, conquanto tenha perdido o uso em muitas localidades. Em Vila Cova as crianças iam de porta em porta, pedindo guloseimas, e nos saquitos lá lhes caíam nozes, castanhas, chouriças, morcelas, bolos e até chocolates e bombons. Desaparecem as crianças e vai-se a tradição. O espaço de simbiose entre o público e o privado está a ser, aos poucos, substituído por tunas e grupos corais, que relembram a tradição cantando as “janeiras”.

Por fim os “Reis”, ainda integrados na quadra natalícia, já que evocam a visita dos três reis ao Menino Jesus. O “bolo rei”, neste dia é destacado na mesa de cada casa, segundo reza a tradição. Mas, a celebração do bolo rei está a ultrapassar a sua própria degustação e o simbolismo que ele encerra. Locais há em que a moda é a confeção de bolos reis gigantones, que são medidos em metros e concorrem para a obtenção de recordes. Bizarro! O espaço público a querer vingar e a perverter, pelo modo e intenção, o verdadeiro “Espírito das Festas.

 

Nuno Espinal


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