publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 18 Julho , 2017, 07:22

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Gente e cântaros, em número incomum nos fontanários, era, há já muitos anos, corrente nos meses de Verão. 

A rede pública de abastecimento de água ao domicílio não existia e era dos fontanários que a população se abastecia para prover as necessidades caseiras.

Em determinadas horas do dia (e da noite) a procura superava em muito a oferta e este facto determinava tempos de espera infindos até que chegasse a vez de os vasilhames abrirem as goelas à mingua de água que caía.

A “vez” adquiria-se de acordo com regras dos usos e costumes. Mas, havia os abusos de quem utilizava expedientes típicos de “aos costumes nada dizer”.  E, claro, lá vinham as gritarias, insultos e desavenças.

Hoje, ao ver a imagem da fonte de Santa Teresa, nesta foto publicada, sinto alguma saudade, ou melhor, alguma nostalgia.

Mas, que não restem dúvidas: bendigo, como todos bendizemos, a água ao domicílio.

Só que a imagem me associa a cenas de um grande pulsar de gente e de vida nas ruas de Vila Cova nesses tempos. Mesmo com os tais desacatos, inconsequentes desacatos.

Tanta coisa que mudou. E nos os tempos de hoje é o que se vê: as ruas sem gente, sem vida, um vazio.

Tão triste…  

 

Nuno Espinal


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