
Eu sei que Lisboa está na moda. Ainda bem que está e digo-o por muitas razões entre as quais a do incontestável e superior pendor turístico e, em consequência (realce-se o importante e prático efeito económico), ser um íman de estrangeiros, fonte de receitas para o país.
Mas, para muitos residentes na nossa capital, o fenómeno terá um efeito metaforizado na velha expressão do “reverso da medalha”. De facto, há dias, comentava-me um amigo, lisboeta por residência e coração, que há zonas da cidade que se lhe tornaram um autêntico pesadelo. Referia-se à Baixa e envolventes, “um verdadeiro sufoco na circulação e estacionamento de carros” e “onde quase não sobra um palmo para um qualquer transeunte”.
Depois há o Porto com a velha e estúpida relação de ódio com Lisboa. Ciosos e invejosos do êxito da capital, reclamam reconhecimentos adquiridos internacionalmente, considerando-se uma cidade modelar em beleza e mundanismo.
Eu, sinceramente, não sou fã da cidade. Em dias de pouco ou nenhum sol, acho-a mesmo cinzenta e triste. E, tal como em Lisboa, a circulação e estacionamento automóvel é de todo irritante, desconfortável mesmo.
E pronto! Riscadas do mapa, para mim, as duas cidades, eis-me nas margens do rio dos meus desejos e preferências. E nas margens, direita e esquerda, donde se soergue a minha cidade de sempre: Coimbra.
E deixo-a nas palavras de uma amiga, palavras que retirei de uma das redes sociais. Eis o que disse Adelaide Oliveira Alves num “post” publicado a 11 de junho:
“Estou a pensar que ontem a esta hora estava a assistir a um concerto de piano e guitarra portuguesa na Quinta de S. Jerónimo, num programa de Música no Jardim que se vem realizando semanalmente. E um jardim muito bem cuidado com um anfiteatro onde numa deslumbrante paisagem se desenrolam os espetáculos. Ontem foi uma noite deslumbrante, vale a pena conhecer, tudo foi perfeito desde a sonoridade dos instrumentos aos excelentes músicos, ao efeito das luzes de palco, nem sequer faltou o luar para colmatar a magia daquele jardim paradisíaco. Realmente Coimbra é mesmo terra de encanto!”
E, nem de propósito, o Anfiteatro da Quinta de S. Jerónimo recebe no próximo sábado, dia 17, um agrupamento musical, com sonoridades jazzísticas, onde sobressai, na bateria, Afonso Madeira, visitante regular da nossa Vila Cova e neto da minha amiga Isabel Neves Madeira.
Um espetáculo a não perder, que , por certo, será um reforço ao sentimento de que “Coimbra é mesmo terra de encanto!”
Nuno Espinal
