publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 08 Outubro , 2016, 08:19

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Pelo barulho dos motores e pelo aparato dos carros percebeu-se, de imediato, que eram carros de competição. Uns mais modestos nas respetivas cilindradas, outros com porte de topo, como alguns Porches, reis desta parada de carros de competição, que ontem, sexta, atravessou Vila Cova, vinda de Oliveira do Hospital em direção a Arganil.

Mas, um pormenor chamou desde logo a atenção: apesar da performance destes carros, percebeu-se, desde logo, até pelas matrículas que exibiam, que eram modelos já arredados das competições contemporâneas da categoria de ralis. 

Competem, sim, mas nas chamadas classificativas de “ralis históricos”.

Apesar de já históricos, mantêm o "arcaboiço" mais do que suficiente para continuarem com performances à altura dos seus pergaminhos. E, quem os viu passar, desta condição não ficou com dúvidas.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 05 Outubro , 2016, 21:42

Claro que é incontestável o direito de cada um ter a sua preferência clubística e poder manifestá-la em qualquer sede social, nomeadamente a pública.

Mas, em sede da esfera pública há observações de natureza política e social que devem ser consideradas e impõem limitações.

Na vida, as funções sociais que desempenhamos e os estatutos sociais que nos estão atribuídos conferem-nos papeis sociais que não podem ser desconsiderados.

E na conjuntura dos papeis sociais há diferenças a notar.

Uma coisa é o papel social, na escala dos patamares sociais, de quem está na base, outra é o papel social, que impõe e reforça certos deveres a quem está no topo.

É por isso que me senti revoltado com o comentário do Dr. Ferro Rodrigues (pessoa que muito respeito e admiro), Presidente da Assembleia da República, quando interrogado sobre a figura de Mário Wilson.

Não pelas considerações justas que proferiu acerca do caráter e da importância que o Grande Capitão, título atribuído em Coimbra, adquiriu no desporto nacional, mormente o futebol.

Aquilo que me revoltou foram as palavras de Ferro Rodrigues quando referiu que “é o Benfica que mais sente a morte de Mário Wilson, mais do que todos os outros clubes”.

Desconhecimento total da realidade da vida do “Capitão”, e perfeita injustiça para com um outro clube a quem Mário Wilson dedicou muitos mais anos de vida desportiva.

Se, por hipótese, Ferro Rodrigues tivesse proferido aquelas palavras como presidente ou representante do Benfica, seriam acolhidas como aceitáveis na lógica do papel social que lhe caberia nestas circunstâncias.

Mas, não. Ferro Rodrigues nem é presidente do Benfica nem representou, na circunstância, este clube. Foi inquirido apenas como Presidente da Assembleia da República, representando, por automatismo, os partidos políticos do hemiciclo. Daí que esta condição lhe impusesse um comentário não clubista.

Mas, enfim… estamos em Portugal, onde impera um triunvirato imperialista no mundo do futebol.

Pelos vistos, imperialismo irreversível, pela própria conduta acalentadora de grande parte da classe política.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 04 Outubro , 2016, 19:51

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Faleceu sábado passado o escritor Mário Braga, autor, entre vários títulos publicados, de uma novela de 1956, “Vale de Crugens” que retrata aspetos da vida social de Vila Cova àquela época.

De um escrito, da Dra. Maria Teresa Pinto Mendes, retiramos o seguinte excerto, que elucida sobre esta novela e o seu retrato de Vila Cova.

Importa ainda referir que a ligação do escritor a Vila Cova se estabeleceu com a família Leitão, da Quinta do Pinheiral, cuja casa o escritor visitava com alguma assiduidade:

 

Em 1936 a vida em Vila Cova ainda é considerada próspera. Não o foi nos anos que se seguiram, ou não foi e, se calhar desde sempre, de igualdade para todas as camadas da população. A vida correu lentamente, sob o peso da interioridade. O litoral, a capital, outros países até, exerceram uma atração sobre a população, aqui como por toda a chamada “província”, a população que se rarefez com uma consequente e natural perda. Encontramos na pequena novela de Mário Braga “Vale de Crugens”, publicada em 1958, a imagem de um dia a dia daqueles que já só viviam, ou já quase só viviam de uma agricultura cheia de contingências. Fala-nos de um Verão em que “as ribeiras estavam secas e o céu continuava limpo de nuvens. O Alva corria por um estreito fio de água verde cingido á margem direita, que não fazia, sequer, rodar o engenho da moenda. O calor abafava o vale “, por outro lado mostra os estragos das invernias quando diz: “sobrevoado por turbilhões de trovoadas juntas, arrastando aos pulos nas águas barrentas, abóboras, troncos e caniços”, soltando rodas de azenhas, pondo garotos chapinhando “na água, correndo atrás das maçãs e das peras. Dia em cheio para eles. Inverno de fome…” Mais adiante conta que, num dado Outono, “as trovoadas devastaram mais uma vez a várzea do Alva, e o ano foi de fome para a gente do vale”. É ainda o Alva a polarizar a vida da população e a atenção do romancista; o doce Alva cantado pelo poeta e tão apreciado por todos nós, acusado de malfeitorias, das quais o temos que ilibar acusando antes as trovoadas e o degelo da Serra. Quem conhecendo Vila Cova tenha privado com Mário Braga á data da publicação desta novela, sabe bem que Vale de Crugens escondia o verdadeiro nome da terra cuja vida dura se descreve e que é efetivamente Vila Cova do Alva. A quem conhecendo Vila Cova sem privar com o autor em causa, também não lhe resta a mínima duvida de que Vila Cova se trata, já que se fala “na aldeia entalada entre as íngremes vertentes de um estreito valeiro nos contrafortes da Estrela”; a protagonista é Maria da Natividade – o orago.”

O escritor Mário Braga nasceu em Coimbra a 14 de julho de 1921 e era licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde lecionou.

Estreou-se em 1944, com o livro de contos “Nevoeiro” e publicou até 1997, com o ensaio “Momentos doutrinais”.

Foi diretor-geral da Secretaria de Estado da Comunicação Social e membro do Conselho Consultivo das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian.

Neorrealista, Mário Braga foi ainda editor da revista coimbrã Vértice, de 1946 a 1965.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 01 Outubro , 2016, 22:03

Problemas técnicos, devidos a uma intervenção abusiva de alguém, estão a perturbar a utilização do Miradouro no Facebook. 

Estamos a resolver o prblema e muito brevemente o Miradouro voltará ao seu funcionamento normal.

Agradecemos a vossa atenção.


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