publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 05 Outubro , 2016, 21:42

Claro que é incontestável o direito de cada um ter a sua preferência clubística e poder manifestá-la em qualquer sede social, nomeadamente a pública.

Mas, em sede da esfera pública há observações de natureza política e social que devem ser consideradas e impõem limitações.

Na vida, as funções sociais que desempenhamos e os estatutos sociais que nos estão atribuídos conferem-nos papeis sociais que não podem ser desconsiderados.

E na conjuntura dos papeis sociais há diferenças a notar.

Uma coisa é o papel social, na escala dos patamares sociais, de quem está na base, outra é o papel social, que impõe e reforça certos deveres a quem está no topo.

É por isso que me senti revoltado com o comentário do Dr. Ferro Rodrigues (pessoa que muito respeito e admiro), Presidente da Assembleia da República, quando interrogado sobre a figura de Mário Wilson.

Não pelas considerações justas que proferiu acerca do caráter e da importância que o Grande Capitão, título atribuído em Coimbra, adquiriu no desporto nacional, mormente o futebol.

Aquilo que me revoltou foram as palavras de Ferro Rodrigues quando referiu que “é o Benfica que mais sente a morte de Mário Wilson, mais do que todos os outros clubes”.

Desconhecimento total da realidade da vida do “Capitão”, e perfeita injustiça para com um outro clube a quem Mário Wilson dedicou muitos mais anos de vida desportiva.

Se, por hipótese, Ferro Rodrigues tivesse proferido aquelas palavras como presidente ou representante do Benfica, seriam acolhidas como aceitáveis na lógica do papel social que lhe caberia nestas circunstâncias.

Mas, não. Ferro Rodrigues nem é presidente do Benfica nem representou, na circunstância, este clube. Foi inquirido apenas como Presidente da Assembleia da República, representando, por automatismo, os partidos políticos do hemiciclo. Daí que esta condição lhe impusesse um comentário não clubista.

Mas, enfim… estamos em Portugal, onde impera um triunvirato imperialista no mundo do futebol.

Pelos vistos, imperialismo irreversível, pela própria conduta acalentadora de grande parte da classe política.

 

Nuno Espinal


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