publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 05 Novembro , 2015, 23:28

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A expressão “são favas contadas” é utilizada quando se pretende significar a expectativa de um resultado favorável e previsível. Ao que pudemos apurar, a expressão é muito antiga, remontando ao tempo do Império Romano, ou seja, há mais de dois mil anos.

Esta leguminosa era utilizada na realização de operações aritméticas e ainda para proceder a votações. Neste caso, utilizavam-se favas de cor preta e favas de cor branca, que eram distribuídas pelos votantes, sendo que no ato de votação cada votante depositava uma das favas numa bolsa. Na contagem dos votos, as favas brancas significavam um sim e as favas pretas um não.

A este propósito transcrevemos um excerto de uma Ata de Janeiro de1864, da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vila Cova de Alva, em que numa reunião da Mesa Administrativa é utilizado o método das favas, em ato de votação indicador da vontade dos membros daquele Órgão Social.

 

/…/ Depois apresentou o Senhor Provedor um requerimento de Maria Ludovina de Oliveira Cardoso, desta Vila Cova de Sub Avô, outro de Lúcia de Jesus e outro de António da Silva Bafá que pretendiam entrar na Irmandade desta Santa Casa e em seguida fez o Senhor Provedor algumas observações sobre a inconveniência que via em admitir todas as pessoas para Irmãos, porquanto esta Irmandade já se achava muito numerosa e além disto a pequena jóia e a quota anual não compensavam a despesa que esta Misericórdia tinha de fazer com Irmãos quando morriam, pois entendia que só se deviam admitir pessoas que estivessem na circunstância de poderem exercer os cargos de mesários, para o que havia poucas pessoas habilitadas na Irmandade, no entanto que ia pôr à votação os requerimentos dos pretendentes, cuja votação seria feita por favas brancas e pretas, para que não se soubesse qual dos mesários tinha aprovado ou rejeitado o pretendente e não carregar com o odioso no caso de rejeição;

Sendo dadas a cada mesário uma fava branca e outra preta, foi posto à votação o requerimento de Maria Ludovina de Oliveira Cardoso e, corrido o escrutínio, apareceram na urna cinco favas brancas, ficando por isso admitida a pretendente para Irmã por unanimidade; passou-se em seguida ao requerimento de Lúcia de Jesus e feito o mesmo processo apareceram na urna três favas brancas e duas pretas e por isso ficou admitida por maioria, e seguindo o mesmo método sobre o requerimento de António da Silva desta mesma Vila apareceram na mesa três favas pretas e duas brancas e por isso rejeitado por maioria /…/.

 

 

Nuno Espinal   


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