publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 19 Junho , 2015, 20:46

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O último apontamento publicado pelo Miradouro revelava dados divulgados pelo jornal “Público”, integrados num artigo relativo à evolução da demografia em Portugal. Os números apresentados referiam cenários preocupantes, nomeadamente projeções para o ano de 2060, a ponto de nos ter suscitado esta questão:

Será que, em um qualquer cenário destes, Vila Cova ainda existe?

É evidente que a questão teve uma intenção de ironia e acima de tudo de provocação.

Claro que Vila Cova vai continuar a existir, até porque o seu passado histórico é suficientemente preponderante para a manter viva em um qualquer futuro, mesmo a longo prazo.

Mas, malgrado o radicalismo, pessimismo e mesmo ausência de fundamento científico colocados na questão, a verdade é que a previsão da evolução demográfica para o país e para concelho de Arganil não antevê um futuro de resultados animadores.

No concelho de Arganil, conforme “diagnóstico social” da autoria do município, verifica-se um decréscimo da população que atravessou quase todo o século XX, sempre, com um fugaz intervalo, em contínua descendência e que, de momento, não antevê perspetivas de inversão.

De 2001 a 2011, segundo os censos, o número de habitantes residentes, no concelho de Arganil, desceu de 13.623 para 12.145, ou seja um decréscimo de 10,8%.

Freguesias houve que foram varridas, neste período, por uma autêntica devastação demográfica, como Celavisa (-35,69%), Moura da Serra (-31,55%) e Teixeira (-28,19%).

Vila Cova ainda foi das freguesias que menos percentagem de perdas de população sofreu no período em referência, (3,75%), e isto devido em especial aos estrangeiros que nas várias localidades se fixaram (Vila Cova, Vinhó e Casal de S. João) e que contribuíram para quase anular o saldo de evolução demográfica negativo. Com resultado de menor perda apenas a Cerdeira (-1,82) e com um resultado positivo apenas a freguesia de Arganil (+0,53%).

Considerando o histórico demográfico do concelho e outros dados como as várias pirâmides etárias do concelho e das freguesias, que nos mostram que a grande maioria dos respetivos universos populacionais está compreendida entre os 45 anos e setenta anos, é de prever até 2060, uma redução populacional geral de cerca (ou mais) de 40%.

O concelho de Arganil, não terá mais, em 2060, de 8.000 habitantes.

É evidente que a previsibilidade deste cenário, que não passa de uma projeção de metodologia fundamentalmente empírica, está baseado nas atuais condições demográficas.

A inversão deste sentido negativo só se alterará perante uma, quase, revolução no concelho, com altas taxas de natalidade e saldo migratório positivo, esta segunda premissa a anteceder necessariamente a primeira.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 19 Junho , 2015, 00:24

Nos últimos cinco anos a população portuguesa decresceu em cerca de 200.000 pessoas. Um número impressionante, considerando a atual cifra da população residente em Portugal: 10.374.822.

Aonde é que vamos parar é uma pergunta mais que justificada e que passa desde logo por uma resposta consensual: a população portuguesa vai continuar a diminuir.

Em edição recente, o jornal “Público”, dá-nos conta destes e doutros números e ainda de comentários proferidos, a propósito, pela Presidente da Associação Portuguesa de Demografia, Maria Filomena Mendes, que confessa a sua preocupação com a «rapidez do declínio populacional observado nos últimos anos em Portugal

Com a diminuição da população cresce o envelhecimento. E isto por várias razões. A taxa de natalidade tem declinado continuadamente, ao mesmo tempo que a esperança de vida tem aumentado. Por outro lado os jovens têm abandonado o país na procura de melhores condições de vida. E por outro lado ainda a taxa de imigração estrangeira decresceu nos últimos anos.

Os números são, de facto, assustadores. Transcrevendo o “Público”: «o índice de envelhecimento está de facto a aumentar inexoravelmente: se em 2004 por cada 100 jovens residiam em Portugal 108 idosos, este valor subiu para 141 no ano passado, revela o INE. Também o índice de dependência dos idosos continua a crescer: em 2004, por cada 100 pessoas em idade ativa, residiam em Portugal 26 idosos, valor que passou para 31 no ano passado.»

E prossegue o texto do “Público”: «Projeções divulgadas pelo INE em 2013 apontavam já para uma redução drástica da população em 2060. Se Portugal não conseguir aumentar a natalidade e os saldos migratórios continuarem negativos, dentro de 45 anos a população portuguesa poderá ficar reduzida a 6,3 milhões de habitantes e o índice de idosos por 100 jovens passará 464. Este é o mais pessimista dos três cenários traçados pelo INE. O mais otimista aponta para 8,6 milhões de residentes em 2060, mas para que isso aconteça será necessária uma recuperação da natalidade e o crescimento da imigração

Será que, em um qualquer cenário destes, Vila Cova ainda existe?

 

Nuno Espinal

 


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