publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 16 Março , 2015, 23:09

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Nas conversas que mantemos no seio familiar, deambula-se por vezes para histórias e factos relacionados com o fantástico, ocorrendo-nos à memória episódios distantes de experiências vividas. Uns mais sérios do que outros, o facto é que a imaginação sempre tem tendência a sobrevalorizar as circunstâncias, dando ao narrador o ar de pessoa que passou por experiências terríficas. Numa dessas conversas que surgiu após um jantar com meus filhos, seus cônjuges e netos, contaram-se histórias de que ouvimos falar, todas elas eivadas de profundo mistério e apelo ao Extraordinário e ao Além. Resvalando os relatos para um clima assustador e achando que as coisas estavam a enveredar pelo tenebroso, lembrei-me de relatar um episódio ocorrido em Vila Cova e que foi protagonizado por mim, meu irmão e meu primo Jorge Augusto. Entra ainda nesta história o Sr. Fernando Gabriel, vulgo, então, “Fernando da Loja”.

Os mais velhos decerto se lembram dos célebres Loureiros de Vila Cova, aquele abundante arvoredo sobranceiro à estrada, junto às escadas da Igreja do Convento.

Pois contava-se que aí, em noites de profunda escuridão, logo de Lua Nova, apareciam almas penadas que atormentavam quem ali passasse a altas horas da noite. Criava-se, portanto, em torno dos Loureiros, um clima misterioso e assustador, ainda mais reforçado pela fraca iluminação pública que, há cerca de 50 anos, era apanágio das aldeias de todo o Portugal. O pequeno pedaço de estrada abraçado pela densa vegetação dos frondosos Loureiros e pela profunda escuridão que encerrava, era de facto propício às narrações que os mais velhos nos passavam.

Certa noite, após os nossos passeios nocturnos, estrada abaixo, estrada acima, entre o Barranco e a casa da D. Amélia, que caracterizavam os finais do dia da malta que ali passava as férias de Verão, regressávamos nós a casa vindos das Tílias ou do Café do Vasco, eis senão quando, ao passarmos nos Loureiros, já para lá da meia-noite, nos surge ao caminho um vulto aterrador que, aos uivos, nos queria barrar a passagem. Pernas para que vos quero, em breves segundos nos pusemos no chafariz de S. Sebastião, mal refeitos do susto e das maléficas intenções da alma penada que nos saíra ao caminho. A nossa imaginação juvenil teimava em dizer-nos que algo do outro mundo nos tinha tentado assombrar e que só a nossa boa presença de espírito nos salvara de males que nem queríamos imaginar. O episódio daria pano para mangas se não tivesse sido logo deslindado pela manhã pelo saudoso Fernando Gabriel. Vendo-nos aproximar dos Loureiros e aproveitando a escuridão envolvente, escondera-se nas escadas da Igreja do Convento sem que nos apercebêssemos e, à nossa passagem, pregara-nos aquele valente susto. E ria-se a bandeiras despregadas, narrando com laivos de orgulho o medo que nos pregara.

Um abraço a todos.

Quim Espiñal


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