publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 15 Dezembro , 2014, 21:57

Amigo Nuno.

Dando continuidade às tuas palavras, é verdade que as “cidades” estão ligadas ao consumo e ao fenómeno do consumismo que, infelizmente, constitui actualmente, a pedra basilar da nossa economia (e do mundo dito civilizado) e, por isso, do nosso, digamos, “bem-estar” como seres humanos.

As grandes massas humanas que nas cidades se concentram, são o grande alvo do marketing das empresas.

Com algum “poder de compra” e mais facilmente “ludibriados” pelo chamamento da publicidade que, nas regiões mais interiores do nosso país, atinge e actua mais directamente sobre as crianças (grandes consumidores do futuro), os “urbanos” consomem e consomem, não por necessitarem do que adquirem, mas por terem sido levados – pela poderosa e subtil publicidade – a pensar que necessitavam, como pão para a boca, de adquirir, muitas vezes, produtos cuja utilidade é deveras duvidosa ou mesmo nula.

A publicidade assenta em princípios muito básicos do funcionamento do ser humano. Utiliza os seus sentimentos, frustrações, medos e sonhos e transforma-os em imagens de apetitosas ilhas tropicais ou iguarias sem igual, mulheres fabulosas, homens sem mácula, brinquedos maravilhosos que dão piruetas inimagináveis e vão contigo para a escola e não podes passar sem ele para seres feliz (mas quando compras, perde a piada tem dois cm de altura e é de plástico e não serve para nada, a não ser para entupir a canalização), milagrosos “remédios” para emagrecimento (vejam a “Popota” que este ano parece um “avião”), em cápsulas e comprimidos, mas que tens que, simultaneamente, levar uma vida regrada e dinâmica e seguires uma dieta rigorosa, que se agisses assim, nem precisavas dos comprimidos.

Enfim, um mar de “oportunidades” para as grandes multinacionais do consumo que a cada passo nos devoram (ou tentam).

Felizmente, nem todos são assim (outros hão que bem mereciam mais, mas não é este o assunto). Ainda há quem fuja da confusão da cidade – por este e outros motivos.

Também eu e minha esposa fugimos de Lisboa. Alfacinhas de nascimento e criação, desde há um ano que vivemos permanentemente no concelho, onde temos a nossa casa. Não há dúvida que, seja pela crise (que também ajuda à festa), pelo avançar na idade ou pela “interioridade” onde geograficamente nos encontramos, a verdade é que redimensionamos as nossas necessidades, apertámos, como todos – ou quase – o cinto, e chegámos à conclusão que se vive muito bem – até melhor – comprando e consumindo muito menos que na cidade. E hoje, agradeço de coração as cuecas e as meias e, se não te importares Pai Natal, manda lá umas ceroulas quentinhas que o inverno aqui é rijo.

Abraço, Amigo Nuno e Feliz Natal

 

Silvino Lopes

Silvino Lopes


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