publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 06 Outubro , 2014, 21:07

 

Nos meses de verão, nos anos 50, 60 e 70, o Alva enxameava-se de veraneantes, em especial nos finais de tarde, cobrindo ou o Salgueiral, ou o Porto de Avô, de garridice, cor e galhofa.

A “Praia Fluvial” daqueles tempos, longe dos adornos e artefactos que hoje se lhe atribuem, surgia espontaneamente, e, comparativamente às de hoje, nunca era questionada pela qualidade das águas do Alva. Claro, naqueles tempos com águas clarinhas e límpidas.  

As trocas de roupa, (e os tempos impunham outros pudores e outros recatos), recorriam a artifícios que hoje, no mínimo, são divertidos.

No Salgueiral, por exemplo, era no curral, abrigo de bois, que eram enfiados e desenfiados calções, fatos de banho e biquínis, senhoras agora, homens depois, cada grupo de género à sua vez, em quase escuridão, com tateio das peças de vestuário, a provocar, como se imagina, inevitáveis trocas.

Eu, por exemplo, despistado por natureza, era pródigo em vestir cuecas de outros. Pudera, é que o curral era mesmo um negrume. E claro, cheguei mesmo a pisar bosta de boi. Coisa que a água do rio não resolvesse de imediato.

Mas, cada um faça a associação que entender. Curiosamente nunca padeci de maleita, qualquer que fosse, dos pés. Nem um único calo tive até hoje!...

 

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 05 Outubro , 2014, 00:25

“No tempo da miséria…”

Eis uma frase por vezes invocada e que marca um tempo.

Desse tempo, por vezes, não me furto às saudades. Mas atenção: Não saudades desse tempo. Saudades, isso sim, de momentos desse tempo. E não mais do que isso: Glorificar esses tempos, só de tolice, estupidez ou maldade.

Tempos dos carros de boi, das ruas cheias de bosta, do pé descalço, de uma só sardinha dividida por três, do Povo na sua condição pobretana e simplória…

Daí que sejam sábias as palavras de Agostinho da Silva:

/…/Amam o povo, mas não desejariam, por interesse do próprio amor, que saísse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as superstições e as lendas; vêem-se generosos e sensíveis, quando se debruçam sobre a classe inferior e traduzem, na linguagem adamada, o que dela julgam perceber; é muito interessante o animal que examinam, mas que não tente o animal libertar-se da sua condição; estragaria todo o quadro, toda a equilibrada posição; em nome da estética e de tudo o resto convém que se mantenha. /…/.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 03 Outubro , 2014, 19:03

A nossa notícia do Dia do Idoso suscitou da parte de algumas das nossas visitantes a curiosidade sobre o prato e receita da “papa laberça”. Trata-se de um prato já em desuso, mas que era corrente na dieta da região, há mais de meio século. Ora, em termos muito sintéticos, aqui vai o modo da sua confeção:

A papa laberça faz se com uma mistura de batata , cebola, feijão, azeite e sal . Correntemente, há quem lhe acrescente alho francês e curgete, ingredientes que na altura nem eram conhecidos. Depois tudo isto é cozido para depois ser triturado. Após ser triturado, e ainda ao lume, junta-se-lhe couve-galega cortada e feijão inteiro já cozidos e por fim um pouco de farinha de milho.

O prato fica com uma textura compacta, pelo que uma tigela de papa laberça, sendo um prato agradável, deixa a pessoa satisfeita, ou seja, com o estômago suficientemente “atestado”.

Esta receita foi fornecida pela Cláudia Pereira, residente, pelo casamento, em Casal de S. João, trabalhadora do nosso Centro de Dia, e neta da Dª Maria de Jesus. Foi esta senhora que confecionou em panelas de ferro a papa laberça que foi apresentada como prato no almoço do “Dia dos Idosos”.

E já agora uma retificação: sugestionados pela localidade de residência da neta, atribuímos à Sr.ª Dª Maria de Jesus a naturalidade naquela localidade. Ora esta senhora é natural de Coja, localidade onde sempre residiu. As nossas desculpas e mais um obrigado pela colaboração que nos prestou.

 

NE


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 01 Outubro , 2014, 23:49

Os nossos amigos mais idosos comemoraram hoje o dia que lhes é atribuído pelo calendário como Mundial. E, acentue-se, com um programa que bem se lhes ajustou. Um almoço à antiga com papa laberça, sardinha assada, carolos, arroz doce e os sempre desejados coscoréis. A papa laberça foi cozinhada em panelas de ferro e com a batuta de uma especialista na matéria: a Dª Maria de Jesus, vinda expressamente de Casal de S. João.

Depois, já a tarde ia a meio, uma descamisada, ao ritmo e com a animação de tocatas dos mais novos da “Flor do Alva”.

Parabéns pois, pelo seu dia, aos nossos utentes do Centro de Dia. Um obrigado aos mais jovens da Flor do Alva pela colaboração. Um obrigado à Sr.ª Dª Maria de Jesus que, nos seus mais de oitenta anos, foi pedra fundamental para que a festa tivesse o êxito que teve. E uma palavra de muito apreço para as trabalhadoras da nossa Santa Casa pelo esforço, empenhamento e muita alegria com que se entregaram a esta iniciativa.

NE

 

 

 

 


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