publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 10 Julho , 2014, 07:04

Este mundial a decorrer no Brasil, já em reta final, revela, na vertente sociológica, um facto indesmentível. A grande projeção que o futebol adquiriu, a ser acontecimento que atrai milhões e milhões de pessoas em todo o mundo, a incluir, na sua envolvência, responsáveis máximos políticos de vários dos países em disputa. Compreende-se que a política não se queira alhear do futebol, até pelo aparato mediático que recolhe, na sua ação de partilha de emoções e afetos. Veja-se o caso do Presidente Obama que, num país em que não há muitos anos o futebol tinha pouca expressão, surge agora em vibrantes manifestações de patriotismo em torno da equipa dos EUA.

Estamos perante um fenómeno de massificação, como nunca antes visto. Obviamente, para que assim seja, há uma principal razão, para além da própria atratividade intrínseca do futebol, razão essa que tem a ver com o poder dos órgãos de comunicação, em especial a televisão, enquanto agentes da popularização e difusão da imagem deste desporto, reputado, com toda a adequação, como rei.  

O futebol tornou-se abrangente em todo o globo e em todos os extratos populacionais.

Tomemos como referência o caso da nossa Vila Cova. Aqui há uns cinquenta e tal anos, não havia um vilacovense residente que pudesse, com um mínimo de saber, discutir futebol.   

Não havia televisão, poucos eram os aparelhos de rádio, os jornais nacionais não chegavam e muito menos os desportivos.

Veja-se o caso de hoje. Quantos não são os “comentadores” e “treinadores” de bancada? Fala-se de futebol com conhecimento de causa. Como de tudo se vai falando do que a televisão e os vários tablóides, nos oferecem como espetáculo, maxime: telenovelas, cenas de faca e alguidar, escândalos, “realities shows”.  

Como diz Mário Vargas Llosa, estamos perante a “civilização do espetáculo”.  

E o que quer dizer civilização do espetáculo?

Dediquemo-nos ao que nos diz Vargas Llosa:

“A de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores vigente é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal. Este ideal de vida é perfeitamente legítimo, sem dúvida. Só um puritano fanático poderá censurar os membros de uma sociedade que queira dar consolo, descontração, humor, e diversão a umas vidas geralmente enquadradas em rotinas deprimentes e às vezes embrutecedoras”.

Mas, diz mais Vargas Llosa:

“Contudo, converter essa propensão natural para passar uns bons momentos num valor supremo tem consequências inesperadas: a banalização da cultura, a generalização da frivolidade e, no campo da informação, que prolifere o jornalismo irresponsável da bisbilhotice e do escândalo”.

 

Nuno Espinal

 


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