publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 21 Junho , 2014, 10:39

Nas minhas auto-análises entendo-me como alguém que preza a sociabilidade. Seja a mera sociabilidade de interagirmos, na consciência (ou inconsciência) de nos dispormos em função dos nossos interesses individuais e coletivos, na forma agregada de vivermos em sociedade e, mais do que em sociedade, nos agruparmos ou tendermos a agrupar em comunidade. Esta mera sociabilidade que foi o ponto de partida para a dissipação do chamado “estado da natureza”.

 

Mas passemos a um conceito tendencialmente apolítico, mais pessoal, direto e afetivo de sociabilidade. A sociabilidade que me faz gostar de ter amigos. E de ter quem de mim goste. E de sentir que há quem me sorria e me saúde e me estime. Gosto mesmo que de mim gostem, como eu gosto de gostar. Porque no gostar (em tese radicalmente anti-masoquista) há prazer. Repito: Gosto que de mim gostem, mesmo quando o gostar é, na aparência, de reduzida ou quase nula dimensão. Mesmo que seja um gostar de “clique”, um simples “like”.

 

Ontem fiz anos. Recebi inúmeras mensagens, efeito da internet. Obrigado amigos. Quanto me senti feliz!

 

 

Nuno Espinal  


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 19 Junho , 2014, 14:42

 

 

De coisas, assim como almas penadas e espíritos a vaguear, nos tempos de hoje, todos nós, ou quase todos, nos riremos. Mas, leitor do Miradouro, dê asas imaginação e enfronhe-se no ambiente das noites longas e escuras de Vila Cova, em tempos recuados, em tempos de mitos e crenças em espíritos e almas errantes.

 

Havia a história da “costureira”. Querem-na conhecer? Pois aqui a contamos numa pincelada.

 

Diz a tradição que uma costureira, profanadora do descanso ao Domingo e de outros deveres religiosos, fora condenada a vaguear, após a sua morte, como “alma do outro mundo”, a fim de expiar os pecados cometidos. Vagabundeando, assim, no mundo dos vivos, era familiar ser ouvida, na sua tarefa de costurar, nos lares de muito boa gente, em especial nas longas e escuras noites de antanho.

 

Em Vila Cova a “costureirinha” também fez das suas. Ora aqui vai a notícia, sem que o seu autor se identifique, que respigámos de uma Comarca de Arganil de 20 de Agosto de 1925, com o título “A costureira em Vila Cova?”

 

"Vila Cova – É o assunto de todas as conversas, despertando grande admiração a aparição da célebre “costureirinha”, que tem percorrido algumas casas desta terra. Nós, que ainda não assistimos a tal fenómeno, acreditamos a hipótese de sugestão, mas várias pessoas afirmam ouvir o estranho ruído, exactamente como uma máquina a coser."

 

Pois leitores do Miradouro, a partir de agora há que ficar de sobreaviso. É que, de quando em quando, acontecem uns “apagões” que deixam esta Vila Cova do século XXI e localidades dos arredores em escuridão total. Um escuro que nem breu, horripilante mesmo. E, gaita! …se a costureirinha dá por ela!...

 

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 18 Junho , 2014, 09:41

 

Esta cena foi retratada nos anos 20, algures em Vila Cova, ao que se presume numa eira junto ao rio. É uma cena do passado, totalmente caída em desuso. O mangual ou malho, que na foto se destaca no seu movimento de bater os grãos de cereais, passou definitivamente à história. Hoje são máquinas, cada vez mais sofisticadas, que se encarregam das várias etapas desde a ceifa à individualização do grão e à sua moagem.

Contudo em Vila Cova já nem isso. Todo o ciclo, por exemplo, de laboração do milho é hoje uma mera recordação. O chão abandonado da “Várzea da Vila” que o diga.

Com o correr dos anos perde-se, cada vez mais, a ruralidade que ainda há meio século predominava.

A própria vivência com laivos da solidariedade mecânica, de que Durkheim falava, com a partilha de crenças, valores sociais e sentido de entreajuda, esvai-se continuamente. Nos tempos que correm os interesses individuais sobrelevam-se e a consciência de cada um é cada vez mais umbilical.  

Daí, amigos, que já nem admire que dos mordomos nomeados nem um se disponibilize para organizar a Festa de São João.

Sinais dos tempos que correm…

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 16 Junho , 2014, 14:30

 

 

Ontem, cerca das 10h30m da manhã, quando vinha de Anceriz e cheguei ao cruzamento com a estrada entre Vila Cova e Avô, (zona do Porto D’Avô) estava um grande cepo a arder, sem ninguém por perto a tomar conta – poderia ser uma queimada ou algo no género.

Que fazer?

Liguei aos bombeiros e, cerca de dez minutos passados, aí estavam eles. Um autotanque e... cá vai disto. Fim da preocupação.

Negligência? Talvez...

Mas mais valeu uma rápida intervenção a “coisa pequena” que, talvez poucas horas mais tarde e com a temperatura a subir rapidamente, houvesse necessidade de intervir em ocorrência de maior gravidade, afectando muito mais meios humanos e técnicos, com o desgaste e cansaço para estes homens e mulheres que, quantas e quantas vezes, pondo em risco as suas próprias vidas, zelam pelas nossas, lutando contra esse inimigo macabro e implacável que é o fogo.

Agradecendo a rápida resposta à minha chamada, e desejando a toda a corporação dos Bombeiros Voluntários de Coja um verão sereno aqui ficam algumas fotos do que se passou. (3 primeiras fotos).

 

 

 

 

 

Infelizmente, hoje, parece que a coisa está bem pior.

Aqui por cima de Anceriz, vindos da direcção de Vila Cova e seguindo mais para noroeste, (4ª foto) já por duas vezes passaram dois aviões de combate a incêndios, o que faz perceber da gravidade do que se passa mais para “cima”, concretamente, ao que me foi informado, na zona do Piódão.

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 15 Junho , 2014, 16:34

Dois vilacovenses de gema uniram-se ontem, sábado, pelo casamento, na égide dos Sacramentos da Igreja Católica e sob os ofícios do Sr. Padre Rodolfo Leite, em celebração realizada na Igreja Matriz.

São eles o Rui Lourenço e a Andreia Paiva, que foram acompanhados, na cerimónia religiosa, por muitos convidados, maioritariamente afetos a Vila Cova, os quais depois puderam confraternizar no complexo da Quinta da Hortinha, local onde teve lugar o copo de água.

Aos noivos os nossos sinceros desejos de muitas felicidades.

 

Fábio Leitão

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 13 Junho , 2014, 00:23

 

Noite de Santo António em Vila Cova: Lá do alto, a soberba lua, em noite tão bonançosa, testemunhou por certo a solitária fogueira de rosmaninho, que, no seu débil crepitar, desprendia desconsolos de abandonada e desprezada.

“Ainda há quem tente puxar a carroça, mas as rodas estão perras”, dizia-me um amigo.

De facto, alguém ornamentou, com adornos adequados, o espaço onde o São Sebastião se mostra em frontispício, a marcar o chafariz a que deu nome. Estava o convite feito.

Mas, qual quê? Meia dúzia de pessoas para um tanto de sardinhas assadas…

“Isto era de esperar”, dizia quase resignado um outro amigo. “Sabe? Dia de abertura do mundial, jogou o Brasil. E depois temos as marchas de Lisboa…”

Ah, pois, é isso, a televisão! – Atalhei.

Ainda, assim, havia luar…

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 12 Junho , 2014, 08:40

 

Bem cedo, da varanda de casa (meu eleito observatório da vida), fui beliscado pelo banho de sol que já cobria o casario.

Luz, mais luz! Gritei ao mundo, em silêncio.

Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do coração. Eu sou, eu sou, eu sou.

Senti a vida. Ah sim, a vida!: Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

Colhi uma flor, festejei um cão e sorri a alguém que me saudou.

 

 

Nuno Espinal

 

(Frases em itálico, respetivamente, de Goethe, Sylvia Plath e Oscar Wilde)


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 10 Junho , 2014, 22:24

 

Após terem atuado em Vila Cova de Alva, integrados no programa cultural da “V Mostra de Sabores e Lavores”, “Os Gorgulhos/Teatro Na Serra”, grupo de teatro de Anceriz, deslocou-se à bela vila de Alpedrinha.

Por convite do Teatro Clube de Alpedrinha e comemorando o Dia Mundial da Criança, levaram à cena, no passado dia sete, o espectáculo infantil “Ax’isto Muito Estranho”.

No auditório principal do TCA, instituição que existe desde 1839 e que acaba de ver aprovado o seu estatuto de Utilidade Pública (os nossos parabéns), Fernanda Santana e Silvino Lopes (Os Gorgulhos) representaram para uma plateia onde as crianças estiveram presentes em grande número, deixando satisfeitos miúdos e graúdos que ali se deslocaram e que, com os seus sinceros aplausos, brindaram da melhor forma o trabalho dos atores.

Estão pois de parabéns os nossos Gorgulhos, bem como o Teatro Clube de Alpedrinha, pelo evento realizado.

Deixamos ainda um “Alerta à Navegação”.

Os Gorgulhos irão atuar no próximo sábado, 14/6 em Anceriz, às 16h00m, nas instalações do Centro Sócio-Cultural de Anceriz e no domingo, 15/6 à mesma hora, no Auditório da Casa do Povo de Coja, onde será ainda feito um convite, a todos os que quiserem, para a formação de um grupo de teatro no concelho de Arganil.

Por isso, compareçam.

Afinal não se vê teatro com frequência, por estas bandas...

 

Silvana Portugal

 

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 10 Junho , 2014, 21:33

 

 

No próximo dia 14/06/2014, o Centro Cultural de S. Martinho irá receber mais este evento organizado pela Tuna de S. Martinho a partir das 22h.

Os outros grupos do concelho, a Tuna Cantares de Coja e a Tuna Popular de Arganil, também se irão juntar com a tuna anfitriã e assim em conjunto, poderem todos confraternizar em redor da mesa, no jantar oferecido pela Junta de Freguesia de S. Martinho da Cortiça.

De seguida irão todos rumar ao Centro Cultural e com toda a certeza, proporcionar a todos aqueles que se queiram até lá deslocar, um espectáculo de música popular, com todo o seu empenho e alegria, na certeza de que defendem todos o que de melhor existe em Portugal, a música popular portuguesa!

Uma ideia surgida na cabeça do amigo José Moreira, presidente da Direcção da Tuna Popular de Arganil, que lançou um repto ás outras Tunas do Concelho para se organizar um Encontro de Tunas Concelhio, alternando em cada ano o local da realização. Repto aceite na hora e que este ano se realiza na nossa casa.

Este ano o Encontro, tem uma particularidade, será transmitido em directo na Rádio Clube de Arganil, através do nosso amigo “Zé Grelo” no seu programa semanal, com a ajuda do Mário Oliveira.

Desde já convidamos todas as pessoas a escutar o programa, e aqueles que quiserem ver ao vivo este encontro, podem dirigir-se ao Centro Cultural de S. Martinho, com excelentes condições acústicas e de conforto, com cerca de 200 lugares sentados, onde poderão ver e ouvir aquilo que de melhor se vai fazendo por esta Beira-Serra, com a certeza de que estes grupos são uns dos muitos embaixadores dessa cultura serrana que se vai levando por este país e até pelo mundo.

No próximo dia 14/06/2014 todos os caminhos vão dar a S. Martinho da Cortiça, e disfrutar duma noite cultural sem qualquer tipo de bilhete, prova da generosidade de todos os intervenientes.

 

 Ricardo Pereira

 

(Presidente da Direcção da PR-AJ)

 

(Responsável da Tuna de S. Martinho)


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 09 Junho , 2014, 22:59

 

Terminou mais uma “feira das tasquinhas” em Arganil. Que dizer? Confesso que me espaireço durante os dias em que decorre. Não que me deslumbre, bem longe disso, com os momentos de entretenimento oferecidos. Nem tão pouco com os degustes proporcionados. Carne e mais carne são a base dos pratos proporcionados (as minhas preferências gastronómicas quedam-se no peixe) e nos palcos ranchos folclóricos e bandas filarmónicas. Mas há um ambiente que fascina. Porque acima de tudo há povo e na inter-relação entre coisas e pessoas e entre pessoas e pessoas a comunicação acontece, a “cultura popular” acontece.

Na feira sinto algo de verdade, de genuíno. Nos cheiros menos cordatos dos grelhados, nas desarmonias musicais, nas vozes desafinadas, nos tropeções e trambolhões etílicos.

Isto é Povo”, bradava alguém, “esta é a minha gente de Arganil.”

Dizia o sociólogo T. S. Eliot que “se a existência de uma elite é indispensável à sua conceção de «alta cultura», também o é que numa sociedade haja culturas regionais que alimentem a cultura nacional”.

E dizia ainda mais:

É importante que um homem se sinta não só cidadão de uma nação em particular como também cidadão de um lugar específico do seu país, que tenha as suas lealdades locais”.

Que lição! E nas “tasquinhas” esteve a lição.

 

Nuno Espinal

 


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