publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 04 Janeiro , 2014, 22:51

O Professor Manuel Fernandes (obrigado Manel) enviou-me este apontamento histórico, retirado do “A Feijão do Portal”.

O documento é um foral de Vila Cova, dado por J. Tenão, bispo de Coimbra.

 

 FORAL de VILA COVA, dado por J Tenão (sic) bispo de Coimbra.

 

O lugar de Vila Cova no qual, quaisquer pessoas que lavrarem pão na dita terra, com um boi ou com dois ou muitos, pouco ou muito em qualquer quantidade, pagarão por jugada pelos dois quarteiros de pão contidos em seu foral 12 alqueires desta medida corrente na dita terra, i.e. a metade de trigo e outra de centeio. A qual jugada não se paga de cevada, nem linho, nem de outra qualquer semente, salvo do dito trigo e centeio. E das outras sementes se paga somente o dízimo, a dez. E os que lavrarem com bois alheios, de graça ou por dinheiro, não pagam nenhuma jugada, salvo se os trouxer de aluguer, porque então pagará jugada como os sobreditos, que com seus bois próprios lavram. E mais, do vinho que colhessem mandou-se pagar um cesteiro, pelo dito foral pelo qual foi sempre interpretado pagarem-se dois almudes, pela velha, que serão medidos desta medida corrente pela qual os ditos almudes se pagarão no lagar. E poderão vender suas herdades, fazendo primeiro saber ao senhorio se as quer. Tanto e portanto não haverá fidalgo nem cavalheiro nem pessoa eclesiástica, mas tal pessoa que sempre pague o dito foro delas. E quando assim venderem darão o dízimo do dinheiro porque as derem. Não há maninhos aí. Somente quando se levarem, dados pelo mordomo do senhorio, pagarão pelo foro da terra, segundo a nossa lei das sesmarias e não de outra maneira, para não se darem em prejuízo dos vizinhos e comarcãos. Porque, fazendo dano, mandamos que se não deem. E dos montados o senhorio não leva nenhum direito. E o Concelho usará por suas posturas com seus vizinhos e comarcãos. E pagarão, os do dito lugar de Vila Cova com o Concelho de Coja cujo termo são, no jantar do bispo e colheita nossa, segundo lhe couber por sua repartição.

 

O responsável do Portal faz a seguinte referência: J Tenão seria talvez D. João Galvão, 1.º conde de Arganil, com a diocese de 1460 a 1481, falecendo pobre e desprezado em Lisboa em 1485. Quiçá algum Vilacovense possa esclarecer...

 

Caro amigo: Vamos fazer os possíveis por lhe dar uma resposta. Obrigado,

Nuno Espinal – Miradouro de Vila Cova.


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