publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 27 Abril , 2013, 19:40


Autor: Henrique Gabriel

publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 27 Abril , 2013, 00:19

Por finais de Novembro de 2008, uma noite houve em que do chafariz de S. Sebastião desapareceram dois dos pináculos laterais que encimavam a sua cornija.

Dos larápios e do paradeiro das peças roubadas nunca nada se soube. O roubo não deixava qualquer rasto.

Apesar de delapidado, o chafariz nunca terá perdido, de todo, a sua graça. Mas, quando o olhávamos, com os olhos da memória, era evidente a falta dos pináculos.

Eis, que, entretanto, o chafariz de S. Sebastião, por obra da Junta de Freguesia, regressa de novo à sua velha fisionomia. Novos pináculos, réplica dos anteriores, já lá estão.

Branquinhos que são, até parecem bem diferentes dos originais. Mas a passagem do tempo há-de escurecê-los. E quando isso acontecer, quem da história não souber, nunca há-de imaginar que os dois pináculos laterais têm uns bons anos a menos que o pináculo central, osso, este, por se lá manter, aparentemente bem mais duro de roer, já que a ladroagem nunca o ousou desafiar.  

E que não ouse. Porque se apanhados forem há em Vila Cova quem, de valentia, não destoe do João Brandão. E, amigos do alheio, fica-vos o aviso: Cuidado! É que, se nessa tentação caírem, o melhor que terão a fazer é irem, antecipadamente, encomendando as vossas almas ao Criador.  

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 27 Abril , 2013, 00:03

Versão Livre do Poema (Liberdade) de Nuno Espinal

 

Havia um peso – um penedo medonho

Que se desfez. Depois floriram cravos.

Lembras-te amigo? Não! Não era um sonho!

E tanto que nos rimos e cantámos.

 

“Que venha o futuro” – tu dizias.

E mais, disseste: “Abril, desejos mil”

Mas os anos passaram e os nossos dias

São hoje o travo amargo desse Abril.

 

Mas bendizemos ainda este latejo

De liberdade; já tão destruída.

Que a brindemos sempre com o desejo

De celebrar a paz, o Amor e a Vida.

 

Silvino Lopes

 

 

Liberdade (I)

 

Chegou mais um Abril. A madrugada

Que fez erguer, feliz, um povo inteiro.

Daquilo que colheu, não sobra nada.

Abril já se perdeu no nevoeiro.

 

Chegou mais um Abril e a liberdade

Zarpou dentro de nós como um veleiro.

Já não se vê, mas ficou a saudade.

Abril já se perdeu no nevoeiro.

 

Chegou mais um Abril. Nasce de novo

A esperança e a vida como no primeiro.

Mas tudo foi tirado a este povo.

Abril já se perdeu no nevoeiro.

 

Mas a vontade cresce e acalenta

A fúria de mudar. E o povo inteiro,

Cansado de sofrer, ergue-se e tenta

Fazer Abril, de novo, soalheiro.

 

Silvino Lopes

 

Liberdade (II)

 

Era criança e dormia

Num sonho primaveril.

Era noite e eu não sabia

Que estava a nascer o dia

... Aquela manhã de Abril

 

Era criança e sonhava

Brincadeiras, alegria,

E nem sequer suspeitava,

Por cada riso que dava,

Um inocente morria!

 

Apenas por discordar

De quem “fazia” a verdade,

Era preso por falar,

Torturado por calar,

Por amar a liberdade.

 

Eu não sabia e dançava

Nas nuvens belas do sonho.

E o meu país sangrava

E o meu povo chorava,

Num medo que era medonho.

 

Era criança e dormia

Descansada, sem saber

Que tanta gente sofria,

Que um povo inteiro queria

O que eu não sabia querer.

 

Hoje, cresci... acordei

Do sonho por onde estive.

Hoje sinto o que sonhei

Em criança, (agora sei)!

Que o meu país luta e vive!

 

 

 “Á sombra de uma azinheira,

Que já não sabia a idade,

Desfraldei minha bandeira,

Jurei ter por companheira,

A chama da liberdade.”

 

Silvino Lopes


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