publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 08 Abril , 2013, 23:09

Só hoje tive conhecimento da morte de José António Cruz e fiquei consternadíssima.
Uma amiga, com quem falei ao telefone, estranhou por ontem não ter aludido á sua morte, e ter feito outra publicação neste espaço. Na verdade, quem enviou o meu texto foi uma netinha a quem pedi para o fazer, daí o meu desconhecimento por não ter lido as noticias.
Sabia que ele estava doente mas nunca pensei que fosse assim tão grave. A vida é tão cruel e a morte tão inesperada. Tão certa, mas tão injusta!
Nenhum filho devia partir antes dos pais! O Zé foi um dos jovens do grupo "Som e Vida" e eu não esqueço a sua maneira de ser. Educadíssimo, correcto, observador e participativo. Muito amigo de todos os que compunham o grupo, brincava com todas as jovens com respeito e postura civilizada. Sempre me tratou com carinho a que eu sempre retribuí. A Leonor aplicou uma rosa negra na notícia da sua morte revelando tristeza e dor, eu ofereço-lhe no sentido figurado, um ramo de rosas brancas, simbolizando a paz e a serenidade plena para a sua alma. Que Deus o tenha em Sua Glória.
Para seus pais (meus amigos de infância), para sua irmã, sobrinha, restantes familiares e amigos, o meu mais profundo pesar e grande saudade.

Ercilia Ribeiro de Almeida


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 08 Abril , 2013, 22:58

Escrever  foi sempre o que mais gostei de fazer, mesmo quando era pequena já fazia os meus versinhos e escrevia historias que a minha mente sonhadora inventava. Perdia-me nas minhas imaginações, num faz de conta inocente. Gosto de recordar o passado, os hábitos e tradições, podendo parecer retrógrada ou saudosista. Retrógrada não serei, mas saudades tenho muitas!

E como diz a canção: Hoje vivo de saudade  é triste  perdermos a mocidade  etc.

Assim, vou descrevendo,  á minha maneira,  sem  protagonismo  ou relevância,  nem de outra  forma  poderia ser. De política não entendo nem dá para entender, da troika falam os  governantes e da crise falamos todos.

Ninguém deve falar de coisas que não sabe, pois seria um paradoxo, uma ambição. Eu falo de coisas simples como a simplicidade que sempre adotei e que está no meu coração.

Desta forma vou relembrando as vivências do meu tempo, das personagens com quem convivi, desde o moleiro ao  prior, da mulher que vendia sardinha e corria toda a freguesia com os caixotes á cabeça, da professora que não poupava esforços nem estaladas, preparando-nos para o exame da 4ª classe, ainda do padeiro, do forneiro e do sacristão. Vila Cova foi prodigiosa em famílias ilustres, cujos descendentes seguiram os caminhos da cultura, da ciência e das artes, sendo altamente distintos e considerados.

Atualmente Vila Cova tem a primazia de ter muitos jovens com cursos superiores, ocupando com mestria cargos inerentes á sua área. Hoje eu venho falar do tio Zé Xinca,  que foi moleiro durante muitos anos, peço desculpa aos seus familiares por tratar da forma como era conhecido o Sr. José de Paiva que com sua mulher, Sra. Emília, formavam um casal respeitável. Figurinha pequenina, frágil, bondosa, a tia Emília moleira foi mãe de oito filhos. O casal com a família viviam na Moenda, mas tinham casa na Vila onde passavam as festas e os dias especiais. A porta de sua casa mantinha-se aberta durante o dia para que as donas de casa lá colocassem os seus "sarrões", com os cereais para moer e que eles á noite recolhiam e levavam na carrocinha puxada pela sua velha mula. Do mesmo modo traziam no dia seguinte já com a farinha colocando-os no mesmo lugar onde cada um ia buscar o que era seu. A minha mãe, ás vezes, ia diretamente á moenda esperando que o milho se moesse. Eu adorava ir com ela. Para mim tudo aquilo era mágico, o milho caindo grão a grão sobre a mó do moinho e depois a farinha espalhando-se como flocos de neve, empoando tudo até os nossos cabelos, Depois a tia Emília fazia-nos para a merenda bolo na telha e café com gostinho a água do rio... Uma delicia! O trabalho do moleiro exigia muita paciência, vigilância constante pois o moinho rodava noite e dia no seu "ranq,ranq,ranq,ranq"! Era muito interessante todo o processo da moagem e o procedimento até á feitura do pão. Desta família só vive a filha Hortense, senhora muito bondosa e exemplar como era a sua mãe. Graças a Deus a família Paiva continua duas gerações em perspectiva netos e bisnetos, todos lindos e prestigiados por quem eu tenho muito carinho e muita amizade.
Abraços para a família Paiva.

 

Ercília Ribeiro de Almeida


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