publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 13 Novembro , 2012, 21:02

Há dias, numa conferência a que assisti em Coimbra, o Professor Adriano Moreira suscitava, em apelo à reflexão dialética, o confronto entre “o poder da palavra” e “a palavra do poder”. De entre as duas condições qual a mais considerada e prevalecente?

As respostas alternarão consoante as análises e as ideologias de cada um. Mas, parece ser consensual que, no Portugal de hoje, se a “palavra do poder” prevalece “o poder da palavra”, entendida esta condição como discurso credível, é mais desejado.

Ou seja, a palavra dos políticos institucionais, governo ou oposição, é a mais ouvida, por sustentação mediática. E os seus discursos revelam o status quo da situação social e económica em que o país mergulhou. Neles o povo, há muito, deixou de se rever.

O que se quer é um outro discurso, uma outra palavra, uma palavra de verdade, uma palavra mobilizadora.

Este fim de semana em Vila Cova alguém, saquito ao ombro, em caminhada íngreme para o “espinhal”, me dizia:

-Sabe do que é que isto precisava? De outro Salazar. Esse sim, endireitava isto…

Fiquei sem pinga de sangue e não tive “poder da palavra” que o persuadisse…

 

Nuno Espinal


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