A Comarca de Arganil de nº 2881, de Setembro de 1942, publicava a seguinte notícia:
“Foi reforçada com 3.224$00 a comparticipação de 7.694$00, concedida pelo Fundo de Desemprego à Direcção da Casa do Povo de Vila Cova do Alva, para a construção do colector geral da rede de esgotos daquela vila.”
Estranharão os leitores que fosse o Fundo de Desemprego a subsidiar esta obra. Será que um número mínimo ou até inexistente de desempregados justificava este procedimento? Nem pensar! Havia desemprego e não era pouco. Só que a Previdência Social, à data de uma lei de 1935, não abrangia o meio rural e incluía apenas os riscos preventivos da doença, invalidez, morte e encargos familiares nos setores da indústria, comércio e serviços, deixando assim a descoberto, entre outros possíveis riscos, o desemprego.
Já antes, em 1932, Duarte Pacheco, que tinha sido nomeado para a pasta das Obras Públicas no 1º governo presidido por Salazar, propôs que as verbas do Fundo de Desemprego passassem a ser aplicadas nos programas de obras públicas. E assim veio a acontecer.
E esta? Para quem tanto apregoa o rigor e a clareza dos orçamentos ao tempo de Salazar!
Nuno Espinal

