publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 03 Julho , 2011, 18:40

«Boa noite estimado Nuno. Envio-te a Informação Paroquial de Vila Cova que trouxe do Arquivo da Universidade de Coimbra. Vai num português do século XIX. Quando aí for levo o original, que é um pouco diferente deste na caligrafia. /…/

 

 Manuel Fernandes»

 

 

“ (fl.1) «Vila Cova de Sub Avô»

 

Satisfazendo a huma ordem do Illustrissimo e Reverendissimo Cabido da Santa Sé de Coimbra, certefico eu Antonio Ferreira dos Santos prior da igreja de Nossa Senhora da Natividade da vila de Vila Cova de Sub Avô do mesmo bispado de Coimbra que fazendo as diligencias devidas para dar as noticias que me recomenda o dito Illustrissimo Senhor achei aver nesta freguesia o seguinte.

Há nove hermidas do povo a saber: a hermida de São João do Alqueidão que hé fama vulgar foi antiguamente igreja matrix. A hermida de São João da Tapada. A hermida de Santo Antão do luguar de Vinhó. A hermida de São Simão no Cazal de Baixo do lugar do Barril. A hermida de Santo Aleixo no Cazal do Meyo. A hermida de Santa Maria Magdalena em o Cazal de Sima, tudo no dito lugar do Barril. A hermida de São Sebastião à entrada desta vila. A hermida de Santa Thereza nesta vila. A hermida em que está hum Santo Christo, sita tambem nesta vila junto à igreja e todas estas são do povo.

Há mais nesta vila huma capella de Nossa Senhora do Planto que hé particular e foi instituida por Maria Nunes veuva que ficou de Antonio Martins desta vila e hé hoje administrador della Manuel de Sequeira da vila de Arganil.

Há mais nesta vila outra capella de Nossa Senhora da Asumpsão que está no angullo das cazas de Bento de Figueiredo Brandão, com duas tribunas para as mesmas cazas e porta para a rua, a qual instituirão Marcos de Figueiredo e sua molher D. Brites de Mello e hé hoje administrador della o mesmo Bento de Figueiredo Brandão.

Há mais dentro desta igreja outra capella do Spirito Santo a qual foi instituida por Marcos Fernandez de Figueiredo e sua molher (fl.2) Izabel Nunes de Figueiredo e he hoje administrador della o mesmo Bento de Figueiredo Brandão.

Não há nesta freguezia hermida, nem capella frequentada de concursso de gente, nem imagem que seja singular em millagres.

Consta pello rol dos confessados da Quaresma deste prezente anno, ter esta freguesia cento e noventa e seis fogos, e seiscentas e setenta e seis pessoas de sacramento, entre mayores e menores.

Haverá outo annos vierão para esta vila religiozos da ordem de Santo António e nella asistem em humas cazas que lhe servem de hospicio, tratando da factura e edificação de hum novo hospicio ou mosteiro para nelle habitarem ao qual derão principio no anno de mil setecentos e treze lançando nelle a primeira pedra o Illustrissimo senhor Antonio de Vasconsellos e Souza (que Deus tenha em gloria) sendo bispo deste bispado nesse tempo e não consta de fundador particular mais que os mesmos religiozos com as esmollas dos fieis que por devossão para esta obra concorrem. Não há nesta freguesia outro mosteiro, nem caza de Meziricordia, hospital nem recolhimento.

Não há nesta freguesia reliquias insignes, nem que tenhão autentica certidão de Roma.

Nesta igreja está huma sepultura que tem esculpido na campa o seguinte letreiro: Sepultura que mandou fazer o capitam João Ribeiro de Figueiredo cavaleiro proffesso da Ordem de Christo para elle e seus herdeiros no anno de mil e setecentos e treze. A capella de Nossa Senhora da Asumpsão (retro referida) tem no frontespicio sobre a porta da rua humas armas estampadas em pedra dos Figueiredos, Fernandes e Mellos e por timbre hum leão com huma folha de figueira na boca. E na capella (fl.3) do Spirito Santo, que esta nesta igreja estão gravadas em outra pedra pella parte de fora as armas dos Brandõis, Figueiredos Fernandes, Mellos e Pintos com o mesmo leão e folha de figueira.

Nesta igreja não ha cartorio, nem memoria de que lhe fossem concedidas ou sucedidas preroguativas algumas.

Esta igreja não hé collegiada nem aprezenta beneficios; não tem perciza obriguação de ter coadjutor mas quando he nessessario ao prior tem este a faculdade de o aprezentar e a obrigação de lhe paguar.

Tomando posse desta igreja em o primeiro de Outubro de setecentos e dezanove, achei nella tres livros em cujo numero entra o que de prezente serve: cada hum destes tres livros tem tres titulos: o primeiro titulo he para os acentos de batizados, o segundo titullo para os cazados, o terceiro para os defuntos. O mais antigo livro dos batizados principiou no anno de mil quinhentos e trinta; porque ainda que o reverendo Bartolomeu Gonçalves prior de que antão era desta igreja em o primeiro acento não pos a hera, no segundo acento dos batizados do dito livro se declara ser feito em des de Mayo de mil e quinhentos e trinta e o mesmo se colhe dos seguintes acentos, este livro findou em vinte e sete de Agosto de seiscentos e trinta e dous. O segundo livro dos batizados principiou em outo de Outubro do mesmo anno de mil seiscentos e trinta e douus e findou em doze de Setembro de seiscentos e outenta e hum. O terceiro livro dos batizados que de prezente serve principiou em sinco de Outubro do mesmo anno de seiscentos e outenta e hum. No primeiro livro e titullo dos cazados se continuão os primeiros doze acentos sem a clareza do dia, mes nem anno e«m» que se receberão os contraentes, nem que testemunhas lhe asistirão mas logo se segue hum acento feito por letra do dito reverendo prior Bartholomeo Gonçalves que declara receberse Anna Fernandez (fl.4) com Pedro Annes do Adro dia de São João Batista de quinhentos e trinta e outo annos, este livro findou em nove de Mayo de seiscentos e trinta e tres. O segundo livro dos cazados principiou em vinte e seis de Mayo do mesmo anno de seiscentos e trinta e tres. O terceiro livro dos cazados que de prezente serve principiou em nove de Março de mil e setecentos e hum.

O primeiro livro dos defuntos que ha nesta igreja principiou em quinze de Março de mil e quinhentos e trinta e nove annos. O segundo livro dos defuntos principiou em trinta de Mayo de seiscentos e trinta e tres annos. O terceiro que de prezente serve principiou em tres de Dezembro de mil setecentos e doze annos.

Não há nota de que ouvese varão algum natural desta freguezia que fosse totalmente asinallado em virtudes nem letras ainda que há certeza de que foi Dezembargador do Paço Manoel Homem de Figueiredo que era natural desta freguesia e outro Manuel Homem Freire Dezembargador do Porto, e Juiz da Coroa o Doutor Manoel Homem seu filho cavaleiro proffesso da Ordem de Christo e faleceu corregedor de Coimbra ouve mais o Doutor Francisco Fernandez de Figueiredo collegeal de S. Pedro e Lente de Canones na Univercidade de Coimbra e conigo dotoral na Sé de Evora. O Doutor Francisco de Figueiredo e Mello que foi Prometor do Santo Oficio e de prezente se acha dezembargador Luis da Costa e Faria, fiscal dos Tres Estados e Juis da Chancelaria a cujas degnidades cheguarão huns e outros pellas suas letras; e suposto o doutor dezembargador Luis da Costa e Faria nascece e fosse baptizado na freguesia de Arguanil como sua mai fosse natural desta vila e elle para ella viesse menino de tenrra idade, bem lhe pode servir de pátria esta que o teve por allumno. Estas forão (fl.5) as noticias e [me]morias do que achei aver nesta freguesia e por verdade mandei fazer esta que affirmo in verbo sacerdotis. Villa Cova de Sub Avô e de Junho 12 de 1721 annos e vay por mim sobscripta e asignada era ut supra.

 

O prior Antonio Ferreira dos Santos [assinatura autógrafa]

Declaro que não pude passar esta primeiro por estar abzente Bento de Figueiredo Brandão e não achar nesta vila quem me desse noticia de quem forão os instituhidores das duas capellas de que elle he administrador, prior Ferreira.

(fl.6) [Formulário enviado pelo Cabido da Sé de Coimbra aos diversos párocos das freguesias do bispado de Coimbra que, por estar escrito em letra de imprensa, não foi transcrito]”

 


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