publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 23 Fevereiro , 2011, 08:03

 

Nos meses de Julho, Agosto e Setembro, os que escolhem Vila Cova como destino veraneante criaram o hábito de umas passeatas nocturnas ao longo da estrada, as quais, nos últimos anos, se têm estendido para lá da fonte dos passarinhos até à zona da portela.

Este percurso, de cerca de pouco mais de meio quilómetro, tornou-se como uma ritualização, possuído de um sagrado momento, que é o da paragem, por mais ou menos uma hora, no miradouro fronte das “alminhas”.  

Aí se conversa, aí se soltam gargalhadas, aí se recordam outros tempos, com a escuridão da noite a relevar lembranças e saudades e a imensidão de estrelas a testemunharem o acto.

Mas, tomem lá atenção amigos dessas “movidas corvachas”! O pitoresco que recolhíamos nestas nossas celebrizadas passeatas vai ser uma lembrança das calendas. O escuro, que nos potenciava os ouvidos para as cantorias das miríades de bicharada, passará a ser assunto de histórias do passado, descrito nas nossas crónicas “do como era dantes”.

É que ao longo de toda a estrada, desde o “barranco” até ao caminho para a “redonda”, quinze postes aguardam candeeiros que vão dar luz a rodos à estrada e claro…o  escuro já foi…

Acabam-se as minúsculas lanternas, compradas nos “chinocas” de Coja, e que todos nós, sem exceção, havíamos adquirido para, fugazmente, darmos aos olhos a sua função, em prevenção a insidiosas surpresas pregadas pelo escuro.

Havia um bucolismo nisto tudo. A noite e a escuridão assim o ajudavam. E até as tais lanterninhas, vistas a uma certa distância, aí a uma meia dúzia de metros, passavam bem por cintilantes pirilampos.

Mas pronto! Eis-nos perante o progresso. Assim o quis a Junta e nada a opor. Saudemos a luminária!

Fica-nos, no entanto, no recanto da memória, a recordação da “velha estrada d'outrora”.

Sim! Da velha estrada d'outrora. Porque agora, à noite, com tanta luz e tanta extensão (desde a ponte até à portela) a velha estrada mais se assemelhará a uma avenida. A avenida da nossa saudade…

 

Nuno Espinal   

 


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