publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 07 Fevereiro , 2011, 20:49

 

 

Todo empertigado, dedo em riste e com um vozeirão de calibre, manifestava um rol de soluções para a resolução da crise. Dizia, de entre outras iluminadas formulações, o seguinte:

 

“Diminua-se o número de deputados e só aqui vai-se buscar muita massa. E diminua-se também o número de autarquias. O quê? Juntas com menos de 500 eleitores? Nem pensar. Vila Cova, Barril, Anseriz, Cerdeira e outras hão-de desaparecer que nem um foguete. Já está até previsto, há um estudo feito. Aqui no concelho ficam só as freguesias de Coja, Arganil, Pombeiro e S. Martinho. Tudo o resto desaparece. E se este procedimento percorrer todo o país ganha-se muito dinheiro, temos a crise resolvida.”

 

Não sei onde foi buscar toda esta ciência e onde descortinou o tal estudo. Mas, porque há quem dê ouvidos a toda esta trapalhona argumentação, que de resto nem é nova, aqui deixamos pequenos excertos de um artigo de opinião do Prof. Freitas do Amaral, publicado no último Expresso:

 

“/…/ Portugal já é, hoje, um dos países europeus que menos deputados tem (230) por cada 1000 habitantes. Com um corte substancial desse número para 180 ou para 150, ficaremos perigosamente perto dos 130 deputados do tempo de Salazar, que os queria pouco numerosos para não darem trabalho ao governo e para não regressarmos (dizia) ao tempo do parlamentarismo e dos partidos políticos. Por outro lado, sabem quanto é que a redução de 230 para 180 deputados permitiria poupar ao Orçamento de Estado? A modestíssima quantia de 0,0015 do PIB…, quando o precisamos de reduzir mais de 4% em 2011!

/…/

Enfim, está na moda querer reduzir o número de autarquias locais. Não digo que nalguns casos isso não se justifique. Mas cuidado! Até hoje, desde o início do século XIX, só se conseguiu reduzir substancialmente o número de autarquias em ditadura: será esta a melhor altura para desencadear dezenas de “Marias da Fonte” por todo o país? De resto, é falso que as autarquias locais, no seu conjunto, custem muito dinheiro aos contribuintes: todas elas custam menos de 10% da despesa pública do sector administrativo (quando em França representam cerca de 20%, no Reino Unido 25%, e na Dinamarca 40%).

/…/

 

 

Nuno Espinal


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