publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 13 Outubro , 2010, 10:02

Dei comigo a recordar um episódio passado nos bons velhos tempos da minha juventude, tendo como pano de fundo Vila Cova do Alva. As férias grandes. A” Malta”.

E veio tudo isso a propósito do novo programa da TVI “Secret Story” que, no MEO no canal 10, está no ar 24 sobre 24 Horas. Nada tenho contra programas dessa índole e, mea culpa, até me divirto um pouco quando me dedico a observar as peripécias que ali se vivem. Até porque, em analogia com os tempos da minha juventude, vou encontrar algumas semelhanças com episódios e brincadeiras que fazia. Com as devidas distâncias, claro está. Mas, numa coisa, muito diferente é dos meus tempos. A linguagem ou, mais concretamente, os PALAVRÕES. Hoje sem pejo nem agravo (e não só ali), os palavrões são ditos indiscriminadamente por rapazes e raparigas sem qualquer preocupação ou recato. O que me choca é que, havendo naquele núcleo homens e mulheres com responsabilidades paternais, não se coíbam de os proferir já que, estou certo, os seus filhos assistirão a passagens daquela estadia na casa. Eu sei que já sou um cota, mas não acho muito próprio tanta liberdade linguística. Serão sinais de modernidade dizer tanta asneira?... Em meu entender não creio que sejam.

Mas voltemos a Vila Cova.

No deambular das nossas noites de verão, estrada abaixo, estrada acima, sentávamo-nos muitas vezes nos muros circundantes, fosse nos loureiros, nas escadinhas, na meda, etc., etc. Depois, aí , lá íamos aos jogos de palavras, ou outros, para passar o tempo. Um deles, “daqui me disseram, daqui me responderam”, consistia em que, sentados ao lado uns dos outros tínhamos que transmitir, em segredo, a quem estava de um dos nossos lados a pergunta que o outro tinha feito e ouvir também, em segredo, a resposta que do outro lado nos tinham dado. Mas, só no fim é que em voz alta se repetia a pergunta e a resposta. É claro que no fim de30 ou 40 ouvidos a ouvir-se a pergunta e a resposta, saíam as mais rocambolescas situações e, no fim da ronda, nada do que se tinha dito ao princípio coincidia. Depois, claro está, era rir a bandeiras despregadas de tanto disparate. Mas, sempre sem um único palavrão. No entanto, numa dessas ocasiões, um meu primo, da capital do norte,  perante um qualquer disparate derivado do jogo, desabafava em voz alta  “fulano de tal é fodi…” não acabando o palavrão e emendando a tempo com uma outra qualquer palavra. Fez-se um breve silêncio, um tanto ou quanto salpicado de risos embaraçados, esquecendo-se logo ali a libertinagem e continuando a brincadeira sem mais sobressaltos. Os tempos eram outros, sem dúvida, mas a compostura e o recato nunca fizeram mal a ninguém.

Desabafos…

Um abraço do Quim Espiñal


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