publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 06 Julho , 2010, 10:20

Há quem se lembre, e ainda são alguns, da figura do regedor. Exercia gratuita e obrigatoriamente as suas funções que eram, sobretudo, de polícia municipal e geral e representava e coadjuvava na freguesia o presidente da Câmara, de quem directamente dependia.

Dos regedores havidos em Vila Cova recordo um, que nesse cargo, preencheu os meus tempos de infância e juventude. Era o Sr. Francisco Fernandes também conhecido, entre o povo, por “Chico da Guarda”. “Chico da Guarda” porquê? Porque era descendente de um feitor dos Condes da Guarda, que vindo daquela cidade por cá ficou e deixou raízes.

O “Chico da Guarda” era um homem curioso, muito apessoado e que lá ia tentando impor o respeito pretensamente devido às suas funções.

Fruto da sociabilidade e valores da época, tinha uma visão muito hierarquizada da sociedade, que se reflectia nos tratamentos devidos, consoante o escalonamento a cada um atribuído em termos de classe social.

Um dia houve em que o Sr. “Chico da Guarda” recolhia, em resultado das suas funções, um abaixo-assinado, por uma qualquer razão que os meus poucos anos na altura não me deixaram compreender.

A lista de assinaturas já ia extensa quando chegou a vez de minha mãe, na altura de férias, em Vila Cova, que aderiu ao abaixo-assinado. Escreveu seu nome, Adelaide Espinal, e assinou.

Tudo parecia resolvido, quando o nosso amigo regedor, depois de uma pausa e com ar circunspecto, em que concentrou em si olhares e expectações, rematou:

 

-Peço-lhe toda a desculpa, mas há aqui uma incorrecção minha senhora.

-????

-Antes de seu nome terá que escrever Srª Dª. Sim, digo bem, Srª Dª Adelaide Espinal.

 

Lembro-me da surpresa de minha mãe, que logo retorquiu.

 

-Ó Sr. Francisco isso é que não. Não sou eu que me vou tratar a mim própria por Srª Dª. Esse tratamento, quem o receber, recebe-o sempre de outros.

-Não minha senhora, peço-lhe desculpa. As minhas razões de regedor dizem-me que na lista o seu nome tem de ser acompanhado por Senhora Dona.  

 

A conversa, com argumentos de parte a parte, prolongou-se. Sei que minha mãe não acedeu. Foi então que o Sr. Francisco, não se querendo dar por vencido, pegou na caneta e por o seu próprio punho escreveu antes do nome o tal Srª Dª.

E com ar triunfante, papel na mão erguido, exclamou:

 

-Agora sim, está certo. Já posso prosseguir com o abaixo-assinado! Srª Dª Adelaide Espinal. Nem podia ser de outra maneira. Eu também sou regedor. Regedor Francisco Fernandes. É que quem é Dona é Dona. Dona Adelaide Espinal!  

 

  

 

Nuno Espinal  


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 04 Julho , 2010, 22:23

Quantas vezes passei defronte da chamada “casa lampeão” e quantas vezes cogitei, cá com os meus botões, que naquele “vermelhão” era poiso em que nunca penetraria.  

“Noblesse oblige”, assim me ditavam os deveres da minha causa futebolística, que dá pelo honrado epíteto de Briosa. E se esta é, por princípio, a minha atitude perante um qualquer interior devotado a fóruns benficanhos, idêntica atitude mantenho por um qualquer espaço de tons alagartados ou daqueles, de assustar criancinhas, em que surge um sinistro dragão a cuspir chamas das mais satânicas que já vi até hoje representadas.   

Mas, o velho ditado está-nos sempre a trair. De facto, nunca ninguém diga desta água não beberei. É que a vida está-nos sempre a pregar destas partidas. No entanto, bem vistas as coisas, de partida nada teve. O que me levou àquele espaço foi uma causa que também é nobre e bem nobre.

 Uma causa em prol do Rádio Clube de Arganil. Um jantar, há tempos anunciado, na intenção de contribuir para a campanha de angariação de fundos, para cobrir despesas de instalação de novos equipamentos no emissor da Aveleira, danificados após uma violenta trovoada, há cerca de três meses.

Foi uma festa bonita. Superior organização do indispensável José Conde, sala cheia e fados interpretados pelo Grupo Vocal de Coimbra. A terminar um éfeérreá, cheio de cagança, todo dirigido ao Rádio Clube de Arganil.

Só mais esta. E que venha lá o mais pintado encarnadão que m’o desminta. A sala lá que é do benfas ninguém o contesta. Mas, na sala, o que pairou entre os presentes foi um aroma bem coimbrão, carregadinho até mais não de essências  muito, mas mesmo muito, briosas.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 03 Julho , 2010, 18:29

Terminadas as festas do S. João, coincidentes este ano com a vinda de muitos forasteiros do grupo da malta, tudo retorna à acalmia que caracteriza a grande maioria dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano.

Agosto, contudo, receberá algumas visitas e o movimento dos dias e das noites trará por certo outra animação a Vila Cova. E, então, é quase certo que se organizem as típicas patuscadas, que desde sempre são momentos prazenteiros na reunião de familiares e amigos. É, para os portugueses, uma secular característica esta a da confraternização a pretexto de um bom petisco.

Perderam-se, todavia, expressões da sua afirmação e tradição. Por exemplo, os populares piqueniques do dia de S. João. Noutros tempos o povo inteiro acorria ao Alqueidão e os farnéis eram saboreados antes do aguardado confronto que, a final, opunha o foguetório dos de Vila Cova contra os do Barril.  

Entretanto, proibiram-se os foguetes por determinação, compreensível, dos poderes competentes. Só que os piqueniques de S. João ninguém os proibiu. E que é deles? Um ou outro em ténue traço do fio da história e tradição. E nem tarda que sejam só uma recordação…

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 02 Julho , 2010, 11:24

Ontem, de passagem pelas “Tílias”, ouvi de um jovem este comentário:

“Quando a crise chegou, os capitalistas fartaram-se de pregar sentenças patrióticas tipo «temos de salvar Portugal», «os sacrifícios têm de ser de todos» e coisas assim do género. Agora a Telefónica acena-lhes com uns Euros e lá se foi o patriotismo todo. Grandes filhos da puta!”

E esta?

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 01 Julho , 2010, 10:20

 

Não ficaria de bem com a minha consciência se não viesse ao “Miradouro” dar parte das minhas emoções deste nosso III Encontro. Emoções que, desejo para todos nós, se possam repetir por muitos anos, nestes reencontros de beijos e abraços, como se de “miminhos” se tratassem e de que estivéssemos carenciados. Esta Vila Cova, das nossas venturas e aventuras de anos idos, continua a proporcionar-nos estes tão prazenteiros momentos que nos retemperam a alma e os sentidos e nos transportam a recordações que tão plenamente vivemos e, tão intensamente guardámos no baú das nossas memórias que teimamos em não deitar fora. Que lindo esse “Tempo Azul”! Vila Cova tem este poder de unir as pessoas, não tem Antero? Que lindo este tempo de agora em que, num abraço bem estreitado, transbordam sentimentos de grande e muito pura amizade. Essa amizade que se conquistou com a força que essa privilegiada natureza que Vila Cova possui nos legou. Olha Isabel, “os tais acidentes que muito agradecemos à vida”.

Obrigado Nuno por nos unires nessa “Catedral de verdes naves” que tantas vezes nos serviu de abrigo.

Obrigado a todos por tornarem estes encontros tão especiais.

Perdoa-me Adelaide de fazer minhas as tuas palavras: “que assim seja por muitos anos”.

 

Abraços deste vosso

Quim.


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