publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 06 Janeiro , 2010, 04:14

Li ontem uma notícia em um diário, da qual retiro este excerto:

 

"Janeiro e Fevereiro levam e o velho e o cordeiro", diz o adágio popular a admitir que aqueles meses são os mais ameaçadores para a vida dos idosos. Mas as nove mortes, sete homens e duas mulheres, que a PSP registou entre as 10.00 e as 22.00 de domingo apresentam características que violam a ordem natural da existência humana. Uns morreram abandonados, outros em situação de solidão, /…/.

 

Horas mais tarde, ouvi estas palavras de uma idosa do Centro de Dia:

 

“O Inverno é uma tristeza. As noites são grandes, grandes de mais. E de ano para ano cada vez maiores… Antes, quando o meu homem era vivo, as noites não as sentia, nem pareciam escuras…

Mas, agora!...De ano para ano crescem, são cada vez mais tristes…caminham para a morte, sabe? A morte é a coisa mais triste que há…

Estou velha, doente, ali fico só… toda a noite, sem vivalma… sem vivalma que me visite, que saiba de mim.

Até que uma noite destas hei-de ter uma visita… mas há-de ser a da morte…”

 

Nuno Espinal

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 05 Janeiro , 2010, 10:44

De tal modo lhes recolhi a essência que ainda hoje, e já é passado meio século, nos amenos pores de sol de verão, lhes oiço as toadas. As “Toadas das Trindades”.

Eram um momento único, de reverência, de recolhimento, de serenidade.

 

O “Luís Tarezo”, com mestria e engenho, tocava as “Avé Marias” dia a dia, ano após ano sem uma recusa, sem uma falha. Só que um dia, imponderáveis surgidos forçaram-lhe o afastamento da terra, qualquer coisa como uns quatro ou cinco dias seguidos de ausência.

 

Claro, foi substituído. Quem o substituiu de modo algum me recordo e para o caso nem tão pouco importa. O que recordo, e recordo bem, é que, como recurso, me vi na ensarilhada tarefa de ser eu a ter de tocar uma única vez as “Avé Marias”. Eu mesmo, vejam bem, voluntário decidido, com os meus doze a treze anos, para aí.

Avisado que era, o Sr. Prior ter-me-á questionado:” Achas-te capaz? Olha que só dás as badaladas na altura em que o sol se estiver mesmo a pôr. Vê lá, estás a tempo de recusar… “. Qual recusar! “Recusar nunca, Sr. Prior, nem pensar. Esteja tranquilo, vai tudo correr bem”.

 

Senti-me o maior, muito ufano, prestes a uma grande afirmação pessoal. Mas, há que confessá-lo, se grande era a honraria não menor era o pânico. Pois é!

Nem sei bem o que se passou, mas o certo é que até se me turvou a mioleira… talvez fosse o medo, o pavor da responsabilidade, presumo. Então não é que, ainda o sol distava do horizonte, para aí umas duas horas, não ripo do badalo e, pimba, lá vão as “Avé Marias”?

 

Foi a escandaleira na vila. Os comentários não paravam: Oh! Oh! Que raio é isto? Que palhaçada é esta? Quem foi o engraçado? Olha, acabou cedo o dia de trabalho! Deve ser muito amigo dos trabalhadores, só pode ser!

 

Foi uma incriminação generalizada, um acusativo de monta. Mas, alto aí! Aquela de ser amigo dos trabalhadores, dessa, sinceramente, gostei. É que gostei mesmo! Ser tido como amigo dos trabalhadores!? Era novito, eu sei, mas aquilo soou-me bem. No meio de tamanha desgraça restava-me esse consolo. O consolo de me saber amigo. E hoje até dá para pensar...Quem sabe? É que, anos mais tarde vim a ser sindicalista. E esta?! Será que o Altíssimo, lá bem do Alto, nos seus desígnios, já me indicava caminhos futuros? Seria Deus a escrever direito por linhas tortas?

 

 

Nuno Espinal

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 04 Janeiro , 2010, 02:33

É verdade que este período de festas só termina, formalmente, nos “Reis”. Mas, também é verdade que os “Reis” não são data que tenha tradição comemorativa para as nossas bandas. Assim, nesta realidade cultural, há que aceitar que as festas natalícias já tiveram, na prática, o seu fim.

Daí que, festas terminadas, há que aguardar pelas que o calendário nos ditará como próximas. O que, afinal de contas, nem está assim tão longe. Bem pelo contrário. O Carnaval é já no próximo mês e decorrerá nos seus meados.

Ora, Vila Cova tem sido palco, de há uns anos a esta parte, de um cortejo de carnaval, que se tem realizado ao Domingo.  Um cortejo concebido à sua própria dimensão de aldeia, mas que tem primado pela originalidade, graça e criatividade.  Para que a sua realização tenha sido possível muito se fica adever ao empenho dos seus organizadores, os quais têm sido nos últimos os dirigentes da Flor do Alva.

Contudo, ao que nos foi dito, este ano não está tão garantido que os dirigentes da Flor do Alva, pelo menos alguns, se voluntariem para a organização do cortejo, pelo que são compreensíveis os receios de não se vir a realizar em 2010. O que, a acontecer, será algo a lamentar, considerando o que ele representa para os próprios vilacovenses e para a imagem que transmite para o exterior.

Por isso fica aqui um apelo à Direcção da Flor do Alva. Por favor, mantenham a organização do Cortejo. E que o Sr. Raimundo permaneça, com o seu dinamismo e empenhamento, a ser o seu principal coordenador.

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 03 Janeiro , 2010, 10:37

Chuva e mais chuva. De quando em quando umas tréguas, mas de pouca dura e quase sem sol. Hoje, ei-la de novo, depois de uma sexta e sábado em que folgou. Persiste, persiste e, por ser tanta, torna-se causa de alguns efeitos. Por exemplo, o rio que corre rechonchudo, o chafariz de S. Sebastião que já jorra grosso e até, no terreiro do Centro de Dia, a velha ribeira de farto caudal a fazer jus ao seu nome.

Apesar de tudo, a chuva, ainda que muita, tem caído sem grandes estragos. Valha-nos isso! E, a ter de continuar, que continue assim.

 

Nuno Espinal     

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 03 Janeiro , 2010, 10:24

Infalivelmente, nos últimos anos, tem sido assim. No princípio de Janeiro, quase sempre no primeiro Sábado do ano, a Flor do Alva desloca-se a Aldeia da Nogueira para participar na festa anual da empresa “Construções Irmãos Peres”.

Muita animação, comida em “fartança “ e, sobretudo, um gesto de gratidão da Flor do Alva para com os “Irmãos Peres”, que são seus patrocinadores e amigos.

Fábio Leitão


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 02 Janeiro , 2010, 03:11

Uma bonita mocidade percorreu as ruas de Vila Cova e, com melodias alusivas às janeiras, foi recolhendo um “euróbico” pecúlio tão necessário a previstas despesas em instrumentos, para melhoria das sonoridades da nossa Flor do Alva.

Este grupo de jovens, com o maestro António Simões nele integrado, demorava-se uns minutos em locais estratégicos, como nas Tílias ou em casa do Sr. Emerciano, ou porque havia ajuntamento de povo ou porque era convidado a uns comes e bebes.

E assim se foi preenchendo esta tarde de janeiras em Vila Cova, que deu tréguas à persistente chuva dos últimos dias, ainda que com algum frio, a fazer apetecer uma apropriada fogueira, como a que fogueava mesmo em frente ao café do Sr. António Paiva, um já tradicional local de convívios e cavaqueiras. Com a chegada da noite dava-se a debandada e a recolha ao conforto caseiro, deixando ao abandono ruas e calçadas da terra.

Cumpria-se a celebração de mais uma tarde de janeiras. Pois então, que venha 2010. E com muita saúde para todos.

Ah! Que imperdoável seria o esquecimento! É que, logo ao início da tarde, quatro dos mais novos da Flor do Alva vieram ter comigo e cantaram-me as janeiras. Surpreendido perguntei-lhes o que queriam que lhes desse. Nada, respondeu-me de imediato um deles. Só queremos que nos ponha na Internet.

Está certo amigos. Trato cumprido.  

 

Nuno Espinal   

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 01 Janeiro , 2010, 10:01

Vila Cova, zero horas, nasce 2010. Foguetório, bater de tachos e panelas, vozearia por todo o lado. Cinco minutos de alarido. Depois, na rua, tudo regressa à calmaria. O festim, a prosseguir, tem os seus espaços da praxe. Ceias, brindes de bom ano, beijos, abraços e siga a música. Nos lares de cada um as “têvês”, invariavelmente, prendem a minha gente com as finalíssimas de concursos, que se arrastam há semanas. Bate a meia noite e todos nós de olho aberto, todos presos ao mesmo.

 Pois é! Minhas senhoras e meus senhores, eis a globalização pura e dura, eis-nos organizados e ligados, planetariamente, à ideia da importância de um mero “tempo de relógio”. Depois o que muda, em alguns casos, é apenas uma razão de dimensão. Dos aparatos sofisticados, no gigantismo das grandes cidades a um simples bater de tachos e estrondear de foguetes, na pequenez de uma simples aldeia.

 

Nuno Espinal

 


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