PSD vence em Vila Cova

Terminou o período de campanha eleitoral. –Ufa! Que alívio! Dirão muitos. Também o digo.
-O quê? Tu que sempre te empenhaste na defesa da Liberdade e da Democracia? – dirão amigos meus.
Pois é. Só que o que aqui se passou e, porventura, em muito lado, de Democracia tem muito pouco ou mesmo nada.
Emergiu, na sua expressão mais vil, a calúnia, a maledicência, o boato. Eu próprio vi-me envolvido em ditos e mexericos e cheguei a ser acusado de delator. Vejam só! De delator de uma amiga, que teria denunciado em Tribunal e, de resto, com quem me relaciono frequentemente!
E, para cúmulo, nem faço parte de qualquer lista, não fui candidato a nada e mantive, nestas eleições autárquicas, o afastamento premeditado para que não me envolvessem em picardias fúteis, na intriga, na sordidez da política. Mas, ainda assim…
Custou-me muito, confesso. Delator, eu? Tenho-me empenhado e vou continuar a tentar contribuir para o bem de Vila Cova. Em troca nada peço. Ah, claro, amizade, isso sim. Mas, já sei. De quando em quando, nada me diz que não me surja um valente pedregulho.
De quando em quando e por isso vou-me prevenir. E, secundando Álvaro de Campos, na sua Ode Marítima, contar com esta fatal asserção: “Eis outra vez o mundo real…”
Nuno Espinal

Impossibilitado, na altura, de me contactar pelo telefone, Sérgio Brás, Coordenador Técnico do Miradouro, enviou-me um mail em que, numa só palavra, dizia tudo: “Conseguimos!”
De facto, o “Sapo” dava-nos, na sua página dos blogues, o destaque que, consensualmente, entre os bloguistas, se assume como um reconhecimento e um prémio de mérito.
Subiu impressionantemente o número de visitas (quase mil no dia de ontem) e choveram, em especial pelo telemóvel, mensagens de parabéns. A todos, muito obrigado. É para nós um orgulho e não escondemos quanto vaidosos estamos.
Mas, o principal resultado de todo esta “zoada” será o acréscimo das nossas motivação e responsabilidade. Queremos e vamos ser melhores.
A todos muito obrigado. Um grande obrigado à equipa do “Sapo”.
Nuno Espinal

Quando somos novos, rondando a idade da adolescência, apetece-nos por vezes contrariar os mais velhos, quanto mais não seja por uma mera questão de afirmação pessoal. Talvez por isso e porque os mais velhos a adoravam, víamos em Amália e, consequentemente no fado, um meio para nos opormos ao estatuto que nos impunham de obediência aos cânones por eles ditados. A par disso surgiu um fenómeno chamado Beatles que nos fez delirar e nos levou à negação de outros padrões musicais. Fossem eles do fado, da música popular, da música erudita ou outras. Lembro-me, dessa altura, de um episódio que se passou comigo quando morava na Ajuda, andava eu e o meu irmão em estudos secundários. Por baixo de mim morava um senhor apaixonado pela música erudita que, por vezes, nos “impingia” trechos clássicos na esperança de nos cativar para aquele género musical. Lá vinham o Mozart, o Wagner , o Schubert, etc., etc. e o inevitável Beethoven com as suas sinfonias a que eu, num falso desprezo, chamava Beetonias. Hoje o meu mp3, cuja companhia não dispenso, encontra-se recheado dessas melodias “clássicas” e fazem parte do meu quotidiano.
Quanto à Amália, a nossa Grande Amália, entrou-me na alma em paragens africanas, quando cumpria comissão militar. Por entre penumbras , cigarros e cerveja, num toque sentido de saudades imensas, ouvi Amália num velho gravador. A dolência do fado, a sua interpretação sempre elevada ao máximo, a lembrança dos entes tão distantes fizeram, naqueles momentos, que o fado entrasse irremediavelmente no meu sangue. Por entre lágrimas que não consegui conter, sorvi toda a cadência dolorosa da sua voz e gravei para sempre no meu peito a Saudade de ser português, a Saudade de Amália. Há festa na Mouraria/É dia de procissão/Da Senhora da Saúde/E até a Rosa Maria/Da rua do Capelão/parece que tem virtude… Presto assim a minha muito singela homenagem a um dos maiores vultos da nossa cultura e da nossa história. Portugal seria mais triste sem Ela. Atrevo-me a parafrasear uns versos que Amália escreveu:
“Oh Amália” da minha terra
Agora é que eu descobri
Que esta tristeza que trago
Foi de ti que recebi…
Lágrimas por Amália.
Quim Espiñal

Pipi…pópó…pipi…pópó…
Eles aí vão, bandeirinhas e bandeironas desfraldadas, dedinhos em V, mãozinhas em punho…pipi…popó…uns na direcção norte, outros na direcção sul, PS, PS, PS…PSD, PSD, PSD…
-Eh pá, estive a contar…éramos duzentos carros…os outros? …menos, muito menos…claro que ganhámos, éramos mais, muito mais carros…
-PS, PS, PS, PSD, PSD, PSD…
Pipi…pópó…
-Oh amigo, diga-me lá sobre o Estado Social. Defende que deve haver mais ou que deve haver menos Estado? E o Investimento Público? Investimento em grandes obras públicas? E o Serviço Nacional de Saúde? E a Educação? E…?
-Isso não sei … sei lá! … isso é lá com eles…
Pipi, pópó, pipi, pópó…
Nuno Espinal

Confesso que não gostava de fado. Direi mesmo que o detestava. Ia ao ponto de o considerar música menor. Manifestava, esta opinião, com a convicção de uma grande verdade. Mas nunca, e soube-o depois, com a convicção de um sentimento meu. Um sentimento já expurgado de uma enormidade de preconceitos.
Mas, pronto, era assim. Fado, em mim, era pura e simplesmente coisa para excluir.
Até que um dia…
Um privilégio do destino levou-me a casa de Amália Rodrigues para uma entrevista. (vidé espaço “Opinião” deste Portal). Guião elaborado, perguntas previamente pensadas.
Mas, qual quê? Amália descompôs todo o delineamento forjado. Tudo, na entrevista, iria correr ao sabor do acaso, ao jeito de conversa, afinal à feição de Amália.
Senhora de uma inteligência e sensibilidade profundas, acutilante e perspicaz. Recordo, já entrevista feita e em conversa que se prolongou, ter dito a Amália. “Sabe? Minha mulher gosta muito de seu último CD”. Resposta pronta de Amália: “Olhe, isso significa que o senhor não gosta.”
Fiquei embatucado, atrapalhado. Este imediatismo certeiro de Amália definia o seu enorme discernimento, a sua grande inteligência.
Estive em casa de Amália umas três horas. Ouvi-a, fiquei rendido. Pensei: O fado não pode ser esta coisa menor que apregoo. Dediquei-me, desde aí, ao conhecimento do fado. Sobretudo li livros e documentos sobre as origens e história do fado. Depois frequentei casas de fado e tertúlias. Tornei-me um apaixonado, sorvo o fado com uma desmedida paixão.
À grande Amália o devo. Obrigado Amália.
Nuno Espinal

Tapetes amarelados de folhas e o avançar de Outono. Caem as primeiras chuvas, o cinzento adensa um contínuo minguar dos dias.
Há quem me convide: “Venha aqui beber um copo, coma aqui umas febras”.
Entro. Um velho e tradicional alambique na sazonal azáfama do escorropichar ao bagaço uns litros de aguardente.
Uma amiga minha, dos tempos de Lisboa, diria: “Que coisa mais tasquíssima…Gosto disto”
É esta a diferença que sinto. Ao fim de estes mais de dez anos de vivência beirã passo por tudo isto como algo rotineiro, de mais um dia a dia.
Apenas me inebrio neste tão sublime momento do gota a gota que cai no jarro, do simples assar de umas febras e castanhas e do banquete que se avizinha de uns tantos, a comemorarem mais uma, pequena que seja, vitória dos homens e da natureza.
Nuno Espinal
Do “Princesa do Alva, Portal de Coja, retirámos este apontamento, publicado no último dia 2 em “Notícias”, que muito nos congratula.
“O nosso 'colega'...
... MIRADOURO DE VILA COVA DE ALVA apresenta-se de aspecto renovado, mais atraente ao olhar e à navegação.
Parabenizamos Nuno Espinal, obreiro deste projecto, pela melhoria.”

Vilacovense 1 Teixeira 2
O Vilacovense disputou ontem, no Campo Rafael Abranches de Figueiredo, um jogo treino, em que teve como adversário a equipa de “Teixeira”, que pertence aos distritais de futebol de Viseu. Mais um confronto com uma equipa de um escalão superior, em que o Vilacovense, mesmo sem apresentar alguns jogadores tidos como titulares, desenvolveu períodos de apreciável futebol, continuando a perspectivar um bom campeonato na época que brevemente se iniciará.
A derrota, pelo resultado mínimo, de modo algum deslustra a boa performance do Vilacovense, tanto mais que no balanço de oportunidades criadas a equipa se equiparou à adversária.
No entanto, pode aceitar-se o desfecho do jogo se atendermos que a equipa de “Teixeira” manifestou algum ascendente na maior parte dos 90 minutos, em especial quando o seu meio campo ganhou povoamento ainda que nem sempre com eficácia.
As boas indicações dadas pelo Vilacovense emergem de todos os seus sectores, ainda que ontem devamos destacar o sentido de oportunidade atacante de Marco António, de resto o marcador do golo da equipa,
Nuno Espinal

Chamam-lhe a “Chamiça”. Mas, eu vou tratá-la pelo seu nome: Suzete Neves. E, para com a Suzete, penitencio-me por um descuido. Não publiquei a notícia e foto referentes ao dia do seu aniversário.
Coisa sem importância, dirão muitos. Enganam-se. A Suzete, neste tão banal gesto, sente-se gente, sente-se pessoa, a pessoa que ela é.
Claro, é verdade que circunstâncias da vida a têm levado a um quase mero existir, a um passar de anos e os anos a passarem-lhe num quase total silêncio. É por isso que a Suzete gosta deste pequenino ruído que é a notícia dos seus anos.
Apareci na “internete”, dizia o ano passado, feliz, aquando da notícia do seu aniversário.
Este ano foi falha minha, repito. A Suzete até merece a notícia. Esta e porventura outras. Na simplicidade das coisas e dos pequenos gestos da vida. Querem saber porquê?
Foi no Domingo de Páscoa. A Suzete tinha recebido um pacotinho de amêndoas, como utente do Centro de Dia. Uma simbólica lembrança acompanhada de um cartão que eu, como Provedor, tinha assinado. Percorria a estrada sem ninguém. Até que, em sentido contrário, surge a Suzete. Aproxima-se, braços abertos, depois um apertado abraço, pacote de amêndoas na mão e diz-me: Obrigado Sr. Provedor.
Foi um dos “obrigados” mais sinceros e comoventes que eu alguma vez recebi. Por ele, “muito obrigado” para sempre Suzete.
Nuno Espinal