
Salazar bendizia a pobreza, exaltando-a como virtude. “Pobre mas honrado”, era uma máxima enquadrada na moral do regime, enjeitada, contudo, por todos aqueles que verberavam o acantonamento à miséria do grosso da sociedade, vincadamente a sociedade campesina, que sobrevivia, em exclusivo, dos parcos recursos que retirava de uma agricultura de mera e débil sustentabilidade.
É nesta contextura que a imagem do doce “lar” de aldeia é apregoada, com o pai, trabalhador infatigável, pobre, é certo, mas pejado de virtudes e a mãe, zelosa da sua ninhada de filhos, todos eles sob a égide de costumes e moral pregados estes também pelo catolicismo. “Deus, Pátria e a Família”, era um lema.
Entretanto, e em especial nas cidades, existia uma classe média, na sua grande maioria pertencente ao escalão “classe média baixa”, que dispunha de recursos e meios um tanto superiores aos da população que, no campo, miseravelmente se sustentava da agricultura. Era gente desta classe média baixa que no Verão visitava e passava férias nas suas aldeias, mostrando sinais de posse e de rendimentos que, na relativização da penúria nacional, não deixavam de impressionar os aldeãos.
Eram os “lisboetas”, termo porque eram conhecidos aqui,
Foi nesta largada demográfica que uma jovem, corriam os anos 60, terá deixado a terra e arranjado trabalho em Lisboa como criada de servir. Ora, logo no seu primeiro ano de férias, saudosa da família e da terra, aí a temos uns dias a passá-los
A patetice da jovem foi gozada e ridicularizada pelo povinho. E com razão. Transpondo o velho provérbio: “Quem das suas coisas desdenha…”
Mas, retomando a grande máxima de Salazar pode concluir-se que a honradez, seja ou não de gente pobre e em qualquer circunstância, até é coisa defensável. Mas, a pobreza?…
Nuno Espinal

Como destaque deste IV Capítulo refira-se a entronização, ou seja a admissão como novos membros da Confraria, de três vilacovenses: Drª Cidalina Lourenço Antunes, Presidente recentemente eleita da Junta de Freguesia de Vila Cova, Dª Elizabete Lourenço Ribeiro e Dª Isabel Lourenço Martinho.
das 16 horas. A tal ponto que o orador oficial deste IV Capítulo, professor Manuel Fernandes, foi forçado a reduzir substancialmente o tempo da sua intervenção, com naturais prejuízos para o que de substancial nos poderia ter dito sobre a história do Piodão..


