
Mais tarde ou mais cedo terei de apelar às minhas poupanças e munir-me de uma máquina fotográfica capaz. Mas, enquanto as disponibilidades se restringirem ao modelo que, de momento, possuo, por mais que me esforce, os resultados ficam sempre muito aquém do que a vista, na sua relação presencial, enxerga.
Seja como for, faço um apelo aos leitores para que, em esforço imaginativo, burilem o melhor que puderem as imperfeições da imagem. Pois então, aproveitando traços do que vêem, imaginem a nossa Matriz, em noites de marcada escuridão, iluminada por vários candeeiros, estrategicamente ao seu redor colocados.
Eu, estando cá, nem me esforço à imaginação, porque a imagem sugerida é bem uma realidade de há uns dias para cá. “Consequência das eleições” há quem o diga. Que o seja. É que, se assim for, pelo menos alguma virtude, entre outras, as eleições terão.
Há qualquer coisa de surreal no quadro contemplado. A Igreja parece-nos como suspensa, misticamente suspensa. Eu, ali me quedo em contemplação, em lucubração, deambulando, também, pelos registos históricos que a memória retém.
Destes, a propósito, refiro aqui o que a Professora Doutora Regina Anacleto escreveu em “Vila Cova de Alva: fragmentos do passado”:
Não se sabe/…/quando é que se começou a construir o novo templo da povoação nascente que veio a chamar-se Vila Cova; sabe-se apenas que a matriz se levantou num local elevado e aprazível, denominado o «Lombo». Por essa razão, em documentos do século XVI aparece a designação de igreja da «Bemaventurada Virgem Maria do Lombo», ou ainda a denominação de igreja de «Santa Maria do Lombo». Mas, deste templo, também nada se conserva e a igreja paroquial que hoje existe deve ser uma restauração e/ou ampliação da antiga, acontecida em torno de 1712; nessa altura o templo passou a designar-se por igreja da «Natividade de Nossa Senhora». Na frontaria encontra-se insculpido «B. V. / DEIPARAI / NATALI / D», o que significa «dedicada ao nascimento de Bem-aventurada Virgem Mãe de Deus».
Nuno Espinal
