

Terminou o período de campanha eleitoral. –Ufa! Que alívio! Dirão muitos. Também o digo.
-O quê? Tu que sempre te empenhaste na defesa da Liberdade e da Democracia? – dirão amigos meus.
Pois é. Só que o que aqui se passou e, porventura, em muito lado, de Democracia tem muito pouco ou mesmo nada.
Emergiu, na sua expressão mais vil, a calúnia, a maledicência, o boato. Eu próprio vi-me envolvido em ditos e mexericos e cheguei a ser acusado de delator. Vejam só! De delator de uma amiga, que teria denunciado em Tribunal e, de resto, com quem me relaciono frequentemente!
E, para cúmulo, nem faço parte de qualquer lista, não fui candidato a nada e mantive, nestas eleições autárquicas, o afastamento premeditado para que não me envolvessem em picardias fúteis, na intriga, na sordidez da política. Mas, ainda assim…
Custou-me muito, confesso. Delator, eu? Tenho-me empenhado e vou continuar a tentar contribuir para o bem de Vila Cova. Em troca nada peço. Ah, claro, amizade, isso sim. Mas, já sei. De quando em quando, nada me diz que não me surja um valente pedregulho.
De quando em quando e por isso vou-me prevenir. E, secundando Álvaro de Campos, na sua Ode Marítima, contar com esta fatal asserção: “Eis outra vez o mundo real…”
Nuno Espinal