
Tapetes amarelados de folhas e o avançar de Outono. Caem as primeiras chuvas, o cinzento adensa um contínuo minguar dos dias.
Há quem me convide: “Venha aqui beber um copo, coma aqui umas febras”.
Entro. Um velho e tradicional alambique na sazonal azáfama do escorropichar ao bagaço uns litros de aguardente.
Uma amiga minha, dos tempos de Lisboa, diria: “Que coisa mais tasquíssima…Gosto disto”
É esta a diferença que sinto. Ao fim de estes mais de dez anos de vivência beirã passo por tudo isto como algo rotineiro, de mais um dia a dia.
Apenas me inebrio neste tão sublime momento do gota a gota que cai no jarro, do simples assar de umas febras e castanhas e do banquete que se avizinha de uns tantos, a comemorarem mais uma, pequena que seja, vitória dos homens e da natureza.
Nuno Espinal
