
Chamam-lhe a “Chamiça”. Mas, eu vou tratá-la pelo seu nome: Suzete Neves. E, para com a Suzete, penitencio-me por um descuido. Não publiquei a notícia e foto referentes ao dia do seu aniversário.
Coisa sem importância, dirão muitos. Enganam-se. A Suzete, neste tão banal gesto, sente-se gente, sente-se pessoa, a pessoa que ela é.
Claro, é verdade que circunstâncias da vida a têm levado a um quase mero existir, a um passar de anos e os anos a passarem-lhe num quase total silêncio. É por isso que a Suzete gosta deste pequenino ruído que é a notícia dos seus anos.
Apareci na “internete”, dizia o ano passado, feliz, aquando da notícia do seu aniversário.
Este ano foi falha minha, repito. A Suzete até merece a notícia. Esta e porventura outras. Na simplicidade das coisas e dos pequenos gestos da vida. Querem saber porquê?
Foi no Domingo de Páscoa. A Suzete tinha recebido um pacotinho de amêndoas, como utente do Centro de Dia. Uma simbólica lembrança acompanhada de um cartão que eu, como Provedor, tinha assinado. Percorria a estrada sem ninguém. Até que, em sentido contrário, surge a Suzete. Aproxima-se, braços abertos, depois um apertado abraço, pacote de amêndoas na mão e diz-me: Obrigado Sr. Provedor.
Foi um dos “obrigados” mais sinceros e comoventes que eu alguma vez recebi. Por ele, “muito obrigado” para sempre Suzete.
Nuno Espinal
